Olhares do Sul

A Rede de Artesanato Solidário, Olhares do Sul, lançará linha de produtos que incluem bolsas, acessórios e peças para decoração criadas a partir de resíduos sólidos, entre outros materiais. A ação será realizada no dia 8 de dezembro, às 17h30, na sede da UNISOL Brasil Rio Grande do Sul, situada na rua Vigário José Inácio, 303, Centro, Porto Alegre.

O projeto é realizado pela Coopssol-Brasil – Cooperativa Sociólogos Solidários, com apoio da Avesol, Fundação Luterana da Diaconia, TFL, com a execução da UNISOL RS e patrocínio do Programa Petrobras de Desenvolvimento e Cidadania.ato Solidário, Olhares do Sul, lançará linha de produtos que incluem bolsas, acessórios e peças para decoração criadas a partir de resíduos sólidos, entre outros materiais. A ação será realizada no dia 8 de dezembro, às 17h30, na sede da UNISOL Brasil Rio Grande do Sul, situada na rua Vigário José Inácio, 303, Centro, Porto Alegre.

 

 

13ª edição da Feira Estadual de Economia Popular Solidária

13ª edição da Feira Estadual de Economia Popular Solidária

tem sua abertura oficial nesta sexta-feira

Nesta sexta-feira, dia 02, o Largo Glênio Peres abrigará mais uma vez a Feira Estadual de Economia Popular Solidária, que está em sua 13ª edição. A abertura oficial acontece às 10 horas, com a presença de autoridades, patrocinadores, apoiadores e entidades envolvidas. O horário da Feira é das 8h30 às 20h, iniciou no dia 28 de novembro ao dia 10 de dezembro. No sábado, dia 10 quando será encerrada a Feira funcionará das 8h30 às 18 horas. Nesses doze dias, quem passar pelo centro de Porto Alegre, poderá visitar os 12 estandes de Agricultura Familiar, 69 de artesanato e 3 de alimentação urbana, com uma área coberta de 1.050m2. Estarão presentes 132 empreendimentos econômicos solidários de todo o Estado do RS, envolvendo diretamente cerca de 600 pessoas e indiretamente 3.000.
 

Precisamos ultrapassar a economia e sair dela

Para Serge Latouche, o capitalismo sempre esteve em crise, e é preciso abandonar com urgência o modelo econômico do crescimento infinito colocando em seu lugar a abundância frugal

Por: Gilberto Faggion, Graziela Wolfart, Lucas Luz e Márcia Junges | Tradução: Susana Rocca

“A palavra decrescimento está sendo tomada literalmente. Não se trata de um conceito, mas um slogan”. A advertência é do filósofo e economista Serge Latouche na mesa redonda promovida pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU por ocasião de sua vinda ao campus, em uma série de atividades ligadas ao Ciclo Economia de Baixo Carbono – Limites e possibilidades. Segundo ele, um dos slogans mais nocivos e perversos do sistema capitalista é o desenvolvimento sustentável. “Para nos opormos a ele, cunhamos o termo decrescimento sustentável”, encarado quase como uma blasfêmia, provoca. A ideia é criar uma sociedade de prosperidade sem crescimento, de abundância frugal. O pensador francês pondera que nossa sociedade individualista está fundada sobre o mercado.

Serge Latouche, além de economista, é sociólogo, antropólogo, professor emérito de Ciências Econômicas na Universidade de Paris-Sul (1984). É presidente da Associação dos Amigos da Entropia e presidente de honra da Associação Linha do Horizonte. É doutor em Filosofia, pela Universidade de Lille III (1975), e em Ciências Econômicas, pela Universidade de Paris (1966), diplomado em Estudos Superiores em Ciências Políticas pela Universidade de Paris (1963). Latouche é um dos históricos colaboradores da Revue Du MAUSS (Movimiento Antiutilitarista em Ciências Sociais), além de ser Professor emérito também da Faculdade de Direito, Economia e Gestão Jean Monnet (Paris-Sul), no Instituto de Estudos do Desenvolvimento Econômico e Social (IEDs) de Paris. De suas obras, destacamos A ocidentalização do mundo (Petrópolis : Vozes, 1992) ; La déraison de la raison  économique (Paris: Albin Michel, 2001); Justice sans limites – Le défi de  l’éthique dans une économie mondialisée (Paris: Fayard, 2003); La pensée  créative contre l’économie de l’absurde (Paris: Parangon, 2003), Le Pari de la décorissance (A aposta pelo decrescimento), 2006 e Pequeno tratado do decrescimento sereno (São Paulo : WMF, Martins Fontes, 2009) e Vers un societé d’abondance frugale. Contresens et controverses sur la décroissance (Paris : Mille.et.une.nuits, 2011 – Por uma sociedade da abundância frugal. Cotracenso e controvérsias sobre o decrescimento).

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Em que sentido o decrescimento é viável em sociedades em desenvolvimento como o Brasil e a China, por exemplo? O conceito de decrescimento pode ser aplicado a países emergentes?

Serge Latouche - O fato de formular essa pergunta demonstra que o termo decrescimento não foi compreendido. A palavra decrescimento está sendo tomada literalmente. Não se trata de um conceito, mas um slogan. Esse slogan foi necessário porque estamos numa sociedade da comunicação, onde tudo passa por slogans e manipulação midiática. Um dos slogans mais nocivos e perversos do sistema é o desenvolvimento sustentável. Para nos opormos a ele, cunhamos o termo decrescimento sustentável. Esse slogan nasceu na França, numa sociedade muito desenvolvida, com sentido provocador, porque vivemos na religião do crescimento. Sua ideia é romper com a ideologia do crescimento. Assim, quando utilizamos a palavra decrescimento soa como uma blasfêmia. Isso leva as pessoas a se perguntarem como é possível dizer algo desse tipo.

Por trás do decrescimento há um projeto de um outro paradigma, de uma verdadeira sociedade alternativa à sociedade de crescimento. Trata-se de um projeto para romper com uma sociedade e construir outra que não esteja voltada para a religião do crescimento. Se quisermos ser rigorosos, teríamos que falar em acrescimento, assim como falamos em ateísmo. Evidentemente, é preciso falar no projeto de uma outra sociedade que deve crescer com a felicidade, qualidade do ar, da água, da alimentação. Queremos construir uma sociedade que chamo, agora, da abundância frugal, uma sociedade de prosperidade sem crescimento. Retomo, por isso, a ideia de Ivan Illich  de sobriedade feliz. O projeto é construir uma sociedade ecossocialista, algo já formulado por André Gorz . Ele próprio aderiu à palavra decrescimento.

Projetos iguais

Se as sociedades hiperdesenvolvidas precisam sair da sociedade do desenvolvimento para reencontrarem o limite, as sociedades não desenvolvidas, que não é o caso do Brasil, têm interesse em não entrar nessa piada. Isso não quer dizer que não deva crescer uma certa produção para satisfazer as necessidades, mas não devem entrar nessa ideia da produção infinita. O problema do Brasil está exatamente na lógica do crescimento infinito e na fase onde essa fé tem efeitos positivos, e não somente negativos. Na França já não há mais efeitos positivos, mas no Brasil, ainda sim.
Em muitos países a palavra decrescimento não é a mais apropriada. No contexto da África, por exemplo, eu não falaria de decrescimento, mas quando nós encontramos representantes da Conferência Nacional de Educação (CONAE) do Equador e Bolívia, em Bilbao, na Espanha, num congresso chamado de Decrescimento e bem-viver , imediatamente eles nos falaram que o projeto deve ser o mesmo do que o nosso.

IHU On-Line – É possível haver decrescimento numa época de tamanho crescimento e consumo tecnológico?

Serge Latouche - Esse é o grande desafio. Estamos em uma situação de esquizofrenia total, como dizem os psicólogos. Trata-se de uma dissonância cognitiva. Bastaria ver que ao mesmo tempo os responsáveis do planeta vão a Copenhagen e Cancun dizendo que temos que parar o crescimento. Reúnem-se em Toronto afirmando que a economia deve ser relançada.

IHU On-Line – Como o conceito do decrescimento é recebido pela Europa em crise econômica e sedenta por recuperar-se e continuar consumindo?

Serge Latouche - Mesmo sendo uma ideia importante e fortalecida pelo movimento do decrescimento, frente ao todo essa é uma parte infinetesimal. Mesmo os ecologistas e verdes, que normalmente deveriam aderir, estão muito divididos nesse ponto. Trata-se de uma minoria dentro dos verdes que apoiam com esse projeto do decrescimento. Há iniciativas locais na Itália, sobretudo, que tem obtido êxito e sucesso. Na França isso também pode ser observado, mas somente em nível de algumas cidades e projetos. Há um grande movimento na Europa contra a privatização da água. Não se chama movimento do decrescimento, mas movimento contra o capitalismo e a privatização.

IHU On-Line – Quais os caminhos para “deseconomizar o imaginário” das pessoas no século XXI?

Serge Latouche – As vias do Senhor são impenetráveis. Penso que o trabalho intelectual e de difusão dessas ideias tem um papel. Mas o mais importante para a transformação do imaginário são as vivências. O bom seria ver os exemplos pequenos que temos e que são interessantes, e que quase sempre obedecem à pedagogia das catástrofes. Percebemos que na Europa a vaca louca levou as pessoas a modificar seus hábitos alimentares. Quando eu estava no Japão, ficou claro que o fenômeno do tsunami, que ocasionou a ruptura dos reatores em Fukushima , provocou uma verdadeira efervescência para que as pessoas se interrogassem sobre a energia nuclear. Foi interessante porque a sociedade japonesa é tradicionalmente muito passiva. Como as catástrofes acontecem cada vez mais, infelizmente, vemos estiagem, enchentes, pandemias e doenças novas aparecerem. Tudo isso leva as pessoas a mudarem sua maneira de pensar.

IHU On-Line – A construção de uma sociedade do decrescimento aconteceria, então, através de atitudes individuais e um movimento através de rede? Isso aconteceria institucionalizado ou trata-se de um movimento aberto que depende da atitude individual?

Serge Latouche - Há de tudo. Sou um intelectual e não estou comprometido ou engajado em qualquer partido político. Não tenho nem intenção em criar partido político. Há gente que tentou me “empurrar” para isso, mas não aceitei. É verdade que nos próximos anos pode haver um incremento desse tipo de movimento. Precisamos dizer que os principais movimentos de decrescimento são compostos de jovens. Eles não gostam de que alguém diga-lhes o que deve ser feito. Organizam-se espontaneamente, como os indignados, por exemplo. A primeira ação que fazem é, quase sempre, marchas grandes atravessando países, a fim de sensibilizar as pessoas. Realizam acampamentos durante os encontros (meetings). Na França há dois partidos cujo decrescimento é sua bandeira fundamental, mas sua representatividade é ínfima. Não podemos impedir isso, e irmos contra a criação de tais iniciativas. Haverá, sempre, alguém que se motive a fazer tais ações. Tentamos aprofundar a reflexão sobre o decrescimento através da revista Entropia (www.entropia-la-revue.org).

IHU On-Line – Apostando que o decrescimento depende de uma construção de sujeitos diversos, e que o neoliberalismo, o desenvolvimento infinito lembra uma antropologia egoísta, qual seriam as antropologias que dariam base a uma sociedade do decrescimento?

Serge Latouche - O importante da lógica da sociedade do decrescimento é que, efetivamente, saímos da antropologia do homo economicus e vamos cair naturalmente na antropologia com a tradição de Marcel Mauss , na lógica do vínculo social fundado sobre a tripla obrigação de dar, receber e devolver. Nesse ponto de vista, o movimento de decrescimento se encontra em continuidade com o pensamento de Mauss, um movimento antiutilitarista nas ciências sociais, que está bem representado no Brasil no Recife por Paulo Henrique Martins .

IHU On-Line – O que é uma sociedade convivial? A partir de Ivan Illich, qual é a relação entre  convivialidade e felicidade?

Serge Latouche - Illich não intitulou seu livro sociedade convivial, mas convivialidade. Começou definindo o que ele chamava de instrumento convivial, oposto à técnica heteronômica que nos expropria de nossa capacidade de gerir nossa vida e que não podemos administrar, como é o caso das usinas atômicas ou da junção de autoestradas, que não são nunca coisas conviviais. Pelo contrário, uma bicicleta é algo convivial porque podemos consertá-la, ela não precisa de combustível, mas só do movimento gerado pelas pessoas. A bicicleta tem autonomia. As técnicas conviviais são inventadas não pela vontade de poder, mas por uma forma de amor para tornar mais fácil a vida dos outros, como a máquina de costurar, por exemplo.
Ivan Illich escolheu o termo de convivialidade porque Aristóteles disse que a sociedade descansa sobre a philia, a amizade. Para os gregos esse é um sentimento muito forte e nós não o conhecemos mais. Esse vínculo de amizade aludido por Aristóteles e também Platão pressupunha que entre amigos tudo é em comum. Ocorre que hoje, entre nossos amigos, as coisas não são mais comuns. Vivemos numa sociedade que, a partir da modernidade, iniciou uma revolução individualista. Damos mais importância à vida privada do que à vida comum. O outro não é tão importante. Ao menos estamos bem conscientes de que o mercado não cria vínculos sociais. Trata-se de uma sociedade individualista fundada sobre o mercado que é quase um oxímoro, um paradoxo.
Ele tenta encontrar o que poderia substituir a philia num contexto moderno. Então ele teve essa ideia de convivialidade. Seria de alguma maneira uma philia de um grão inferior. Poderíamos definir a convivialidade como simpatia no sentido forte do termo, ou a empatia, ou para dizer de outro modo, podemos falar no termo de George Orwell , sociedade decente. Uma sociedade decente é uma sociedade que não humilha seus membros. Especialmente as pessoas do povo têm essa mentalidade, que Orwell chama de decência comum. Espontaneamente há coisas que essas pessoas não fazem. Basta lembrar do período de guerras, quando pessoas comuns tomaram atitudes extraordinárias e que salvaram vidas. Isso é decência comum. Uma sociedade onde isso não existe mais não é uma sociedade, e sim uma selva.

IHU On-Line – Considerando o cenário de crise financeira e econômica, muitos estudiosos falam na crise do capitalismo. O senhor concorda que o capitalismo está em crise e corre o risco de acabar, dando lugar a um sistema alternativo?

Serge Latouche - Sempre se diz que os jesuítas respondem uma pergunta com outra. Então, pergunto: o que é mesmo o capitalismo? A questão fundamental é que o capitalismo, como dizia Max Weber , é primeiro de tudo, um espírito. Sair do capitalismo não se trata de fazer uma revolução e tomar os palácios, mas, antes de tudo, sair do seu espírito. Isso é uma coisa que não se pode decidir assim, tão facilmente. Estou convencido de que o capitalismo sempre esteve em crise. O dia em que entramos no capitalismo, data que é impossível de precisar, começamos também a sair dele. Um dia teremos saído dele e não teremos percebido.

IHU On-Line – Quais suas expectativas para a Rio + 20? Que temas não podem deixar de ser discutidos? Quais as prioridades?

Serge Latouche - Os temas importantes são sempre os mesmos: o desregulamento climático, o fim do uso do petróleo, a destruição da biodiversidade, as enfermidades geradas pela poluição. O decrescimento, contudo, nunca entra na pauta, mas é fundamental, porque impacta em todos os setores da sociedade, como agricultura, indústria, a tecnociência e a ciência.

IHU On-Line – O senhor menciona convergências e divergência em relação ao resgate do conceito de economia civil, principalmente na Itália. Essa economia civil fala, inclusive, em civilizar o mercado, de bens relacionais. Poderia falar um pouco mais sobre essa ideia?

Serge Latouche - Há muitas convergências a partir da crítica à lógica da economia do mercado e da economia tal como ela se configurou. A divergência é, sobretudo, pelo fato que os adeptos dessa economia civil pensam que, de algum jeito, podemos voltar às origens da economia política, e não particularmente a Adam Smith , mas a antes, na Escola do Iluminismo Napolitana. Penso que na época da economia civil napolitana isso era importante, mas evoluiu na economia liberal inglesa. Penso que agora precisamos ultrapassar essa economia e pensar seriamente em sair dela. Isso é a principal divergência na medida em que isso lhes leva a assumir uma posição muito reformista. Eles querem desenvolver uma economia solidária, ética, que são coisas muito boas mas incompatíveis com a lógica do mercado. Nós favorecemos essa ética mas na ótica de não abolir somente, mas de reduzir o espírito do mercado. O que tem que ser abolido é o mercado como um todo. Voltando à escola italiana, menciono Stefano Bartolini, da Universidade de Siena. Ele escreveu um livro muito interessante chamado Manifesto da felicidade que segue totalmente a linha do decrescimento, diferente do que outros autores, como Zamagni , por exemplo.

IHU On-Line – No Brasil existe o termo economia de baixo carbono. Nesse contexto surgem ideias de Georgescu Roegen. Que convergências e divergências há entre tais ideias e o decrescimento?

Serge Latouche - Não conheço essa ideia. O que se fala é em economia pós-carbono. Então, penso que… não penso. De fato a utilização desse termo provém de Georgescu . Por coincidência, um discípulo seu, Jacques Grinevald, seu assistente, fez conhecer na França seu trabalho e conseguiu publicar lá obras suas como O decrescimento. Creio que a primeira edição é de 1995. Ele não utiliza o termo “decrescimento”, mas “declining”. Contudo, ele disse que o decrescimento correspondia exatamente ao seu pensamento. Porém, é verdade que Georgescu Roegen não considerava a ideia de sair da economia, como eu.

IHU On-Line – Que método de pesquisa utiliza como pesquisador? Que pesquisas têm conduzido agora?

Serge Latouche – Antigamente consagrei-me à epistemologia através de meu primeiro livro, Epistemologia e economia, de 1973, um grosso volume que não se encontra mais. Parti do freudo-marxismo e cheguei a uma posição mais crítica, mais perto do marxismo que do freudismo. Depois lancei o Processo da ciência social e me ocupei bem mais de Habermas e dos conceitos da Escola de Frankfurt, a teoria crítica, além de Umberto Eco com a crítica da linguagem e A estrutura ausente. Minha caminhada foi uma crítica da economia política e de acesso ao real através da crítica do discurso.

IHU On-Line – Tem alguma sugestão de pesquisas que poderiam ser trabalhadas no Brasil?

Serge Latouche - A ideia de construir um futuro sustentável para o Brasil é um tema muito importante a ser trabalhado. Não podemos dissociar os problemas ecológicos dos problemas sociais.

 

XXVIII Congresso ALAS 2011

Associação Latino Americana de Sociologia e a Universidade Federal de Pernambuco realizarão o XXVIII Congresso ALAS 2011.  Para os alunos do EDUMATEC pelo menos três Eixos temáticos dos Grupos de Trabalho são importantes: Ciência, Tecnologia e Inovação; Produção, Consumo Cultural e Meio de Comunicação; Educação e Desigualdade Social. Para maiores informações acesse o site do evento: http://www.alas2011recife.com/

O campi da Universidade Federal de Pernambuco será o cenário de realização deste mega evento da sociologia latino-americana. Mais de dois mil trabalhos analisando  diversas situações sociais em pesquisas, trabalhos de campo e análise da realidade social serão apresentados. Segundo a Cooperada Ruth Ignacio da COOPSSOL que esta na  coordenação do   GT20 – Sociedade civil: protestos e movimentos sociais

Coordenadoras e Coordenadores: Ilse Scherer-Warren (BRASIL)   Rogério de Souza Medeiros (BRASIL)  Paulo Afonso Brito (BRASIL)  Lucio Oliver (MÉXICO)  Federico Schuster (ARGENTINA)  Ruth  Ignacio ( BRASIL)Julián Rebón (ARGENTINA)no qual estão inscritos mais de duzentos trabalhos o desafio será encontar espaço para discutir tantos temas interessantes da realidade que nos circunda, no tempo de uma semana do Congresso. Mais informações no sitio acima.

Atenção! As apresentações dos trabalhos, indicados nos links abaixo, ocorrerão nos dias 7, 8, 9 e 10   de setembro das 8:30hs às 12:30hs. Desta forma, o 1º dia das apresentações é  07 de Setembro.

» GT01 – Ciência, Tecnologia e Inovação
Coordenação:
Maíra Baumgartem (BRASIL)
Jonatas Ferreira (BRASIL)
Roberto Pineda Ibarra (COSTA RICA)
Silvia Lago Martínez (ARGENTINA)

» GT02 – Cidades latinoamericanas no novo milênio
Coordenação:
Inaiá Carvalho (BRASIL)
Irlys Barreira (BRASIL)
Manuel Rodriguez (MÉXICO)
Jorge Rozé (ARGENTINA)
Verônica Filardo (URUGUAI)
Helenilda Cavalcanti (BRASIL)

» GT03 – Produção, consumos culturais e meios de comunicacação
Coordenação:
Maria Arminda do Nascimento Arruda (BRASIL)
Maria Eduarda Rocha (BRASIL)
Ana Wortman (ARGENTINA)
Ana Rosa Mantecón (MÉXICO)
Maria Salett Tauk Santos (BRASIL)

» GT04 – Controle social, legitimidade e seguridade cidadã
Coordenação:
César Barreira (BRASIL)
José Luiz Ratton (BRASIL)
Luis Gerardo Gabaldón (VENEZUELA)
Juan Pegoraro (ARGENTINA)

» GT05 – Desenvolvimento rural, globalização e crises
Coordenação:
Nazareth Wanderley (BRASIL)
Maria Luiza Pires (BRASIL)
Diego Piñeiro (URUGUAI)
Susana Aparicio (ARGENTINA)
Andres Uzeda (BOLÍVIA)

» GT06 – Imaginários sociais, memórias e pós-colonialidade
Coordenação:
Josias de Paula Jr (BRASIL)
Manuel Antonio Baeza (CHILE)
Martha Nélida Ruiz (MÉXICO)
Ivonne Farah (BOLÍVIA)

» GT07 – Desenvolvimento territorial e local: desigualdades e descentralização
Coordenação:
Cátia Lubambo (BRASIL)
Eliane da Fonte (BRASIL)
Eladio Zacarías (EL SALVADOR)

» GT08 – Desigualdade, vulnerabilidade e exclusão social
Coordenação:
Antonio Cattani (BRASIL)
Anete Ivo Brito (BRASIL)
Laura Mota Díaz (MÉXICO)
Néstor Cohen (ARGENTINA)
Alcira Daroqi (ARGENTINA)
Cibele Rodrigues (BRASIL)

» GT09 – Estrutura social, dinâmica demográfica e migrações
Coordenação:
Wilson Fusco (BRASIL)
Dídimo Castillo F. (MÉXICO)
Gabriela Gómez Rojas (ARGENTINA)

» GT10 – Estudos políticos e Sócio-Jurídicos
Coordenação:
Flávia Barros (BRASIL)
Alexandre Zarias (BRASIL)
Maria Cristina Reigadas (ARGENTINA)

» GT11 – Gênero, desigualdades e cidadania
Coordenação:
Lourdes Bandeira (BRASIL)
Márcia Karina (BRASIL)
Marion Teodosio de Quadros (BRASIL)
Rosario Aguirre (URUGUAI)
Adriana Causa (ARGENTINA)

Parry Scott (BRASIL)

» GT12 – Globalização, integração regional e subregional
Coordenação:
Edna Castro (BRASIL)
Salete Cavalcanti (BRASIL)
Gerónimo de Sierra (URUGUAI)
Alberto Rocha (MÉXICO)
Marcelo Langieri (ARGENTINA)

» GT13 – Reforma do estado, governabilidade e democracia
Coordenação:
Maria da Gloria Gohn (BRASIL)
João Moraes (BRASIL)
Darío Salinas (MÉXICO)
Dora Orlansky (ARGENTINA)

» GT14 – Hegemonia estadunidense, políticas públicas e sociais e alternativas de desenvolvimento na América Latina
Coordenação:
Carlos Eduardo Martins (BRASIL)
Marcos Costa Lima (BRASIL)
Jaime Preciado Coronado (MÉXICO)
Christian Castillo (ARGENTINA)
Adrián Sotelo Valencia (MÉXICO)
Ricardo Santiago (BRASIL)

» GT15 – Meio Ambiente, sociedade e desenvolvimento sustentável
Coordenação:
Elimar nascimento (BRASIL)
Marcos Figueiredo (BRASIL)
Jorge Rojas (CHILE)
Alfredo Peña Vega (FRANÇA)

» GT16 – Metodologia e epistemologia das ciências sociais
Coordenação:
Amurabi Oliveira (BRASIL)
Julio Mejía (PERÚ)
Alberto Riella (URUGUAI)
Angelica de Sena (ARGENTINA)
Mirta Mauro (ARGENTINA)

» GT17 – Pensamento latinoamericano e teoria social
Coordenação:
Adelia Miglievich Ribeiro (BRASIL)
Eliane Veras (BRASIL)
Marcelo Arnold Chatalifaud (CHILE)
Cesar Germaná (PERÚ)
Pablo de Marinis (ARGENTINA)

» GT18 – Reestruturação produtiva, trabalho e dominação social

Ricardo Antunes (BRASIL)
Angela Amaral (BRASIL)
Eliana Monteiro Moreira (BRASIL)
Demetrio Taranda (ARGENTINA)
Marcos Supervielle (URUGUAI)
Beatriz wehle (ARGENTINA)
Raquel Partida (MÉXICO)
Nise Jinkings (BRASIL)

» GT19 – Saúde e seguridade social: transformações sociais e impactos na população
Coordenação:
Roseni Pinheiro (BRASIL)
Artur Perrusi (BRASIL)
Carolina Tetelboin (MÉXICO)

» GT20 – Sociedade civil: protestos e movimentos sociais
Coordenação:
Ilse Scherer-Warren (BRASIL)
Rogério de Souza Medeiros (BRASIL)
Paulo Afonso Brito (BRASIL)
Lucio Oliver (MÉXICO)
Federico Schuster (ARGENTINA)
Ruth Lenara Ignacio (BRASIL)
Julián Rebón (ARGENTINA)


» GT21 – Sociologia da religião
Coordenação:
Cecilia Loreto Mariz (BRASIL)
Drance Elias (BRASIL)
Edna Muleras (ARGENTINA)
Joanildo Burity (BRASIL/INGLATERRA)
Aurenéa Oliveira (BRASIL)

» GT22 – Sociologia da infância e juventude
Coordenação:
Tom Dwyer (BRASIL)
Maurício Antunes (BRASIL)
Rosa Maria Camarena (MEXICO)
Maria Isabel Dominguez (CUBA)
Silvia Guemureman (ARGENTINA)
Mónica Franch (BRASIL)

» GT23 – Sociologia do esporte, ócio e tempo livre
Coordenação:
Arlei Damo (BRASIL)
Jorge Ventura (BRASIL)
Túlio Velho Barreto (BRASIL)
Miguel Cornejo Améstica (CHILE)
Sergio Vilena (COSTA RICA)
Wanderley Marchí Junior (BRASIL)

» GT24 – Violência, Democracia e seguridade. Defesa e promoção de direitos
Coordenação:
José Vicente Tavares (BRASIL)
Artur Stamford (BRASIL)
Flabian Nievas (ARGENTINA)
Carlos Figueroa Ibarra (MÉXICO)
Inéz Izaguirre (ARGENTINA)
Ruth Vasconcelos Lopes Ferreira (BRASIL)

» GT25 – Educação e desigualdade social
Coordenação:
Silke Weber (BRASIL)
Rosane Alencar (BRASIL)
Rosa Martha R. Beltran (MÉXICO)
Néstor Correa (ARGENTINA)
Eliseo Zaballos (PERÚ)
Ana Lucia Paz (COLÔMBIA)

» GT26 – Sociologia das emoções e do corpo
Coordenação:
Mauro Kouri (BRASIL)
Adrián Scribano (ARGENTINA)
Rogelio Luna Zamora (MÉXICO)
Zandra Pedraza Gómez (COLÔMBIA)

» GT27 – Movimentos campesinos e indígenas na América Latina
Coordenação:
João Pacheco de Oliveira (BRASIL)
Remo Mutzenberg (BRASIL)
Marcondes de A. Secundino (BRASIL)
Pablo Dávalos (EQUADOR)
José Basini (BRASIL)
Pablo Mamani Ramirez (MÉXICO)

» GT28 – Interculturalidade: povos originários, afro e asiáticos na América Latina e Caribe
Coordenação:
Renato Athias (BRASIL)
Moisés de Melo Santana (BRASIL)
Eduardo A. Sandoval Forero (MÉXICO)
Carolina Mera (ARGENTINA)
Daniel Mato (CONICET-UNTREF, Argentina)
Ronaldo Sales (BRASIL)

» GT29 – Outra globalização: novos saberes e práticas científicas, literárias e artísticas
Coordenação:
Paulo Cesar Alves (BRASIL)
Paulo Marcondes (BRASIL)
Raquel Sosa Elízaga (BRASIL)
Gabriel Restrepo (COLÔMBIA)
Patricia Funes (ARGENTINA)

» GT30 – América central e Caribe: conflitos, crises e democratização
Coordenação:
Cassio Brancaleone (BRASIL)
Evson Malaquias (BRASIL)
Rudis Flores (EL SALVADOR)
Manuel Rivera (REPÚBLICA DA GUATEMALA)
Robinson Salazar (MÉXICO)


 

Mídia, ciência e tecnologia sob uma visão antropológica

Seminário Ciências da Vida: Antropologia da Ciência em Perspectiva, realizado no Ilea, da UFRGS | Ramiro Furquim/Sul21


Cláudia Rodrigues
Especial para o Sul21

Durante as décadas de 1960 e 1970, os antropólogos estiveram muito ativos politicamente. A partir dos anos 1980, salvo exceções, desapareceram do cenário. Ingenuidade nossa julgar que estivessem muito ocupados com as comunidades quilombolas, ribeirinhas, com os índios, com nativos de países orientais ou vivendo para sempre em alguma ilha exótica perdida no Pacífico. Foi a partir da década de 1980 que esses cientistas sociais começaram a voltar seu olhar e suas práticas de pesquisa para os seus iguais na sociedade ocidental urbana. Eles estavam bem aqui, perto de nós, construindo e desconstruindo as crenças ocidentais urbanas, os nossos comportamentos diante da ciência e da tecnologia. Nos últimos anos, parte importante dos antropólogos esteve avaliando os comportamentos das pessoas em tribunais, delegacias de polícia, bancos de dados genéticos, hospitais; enfim, nosso mundo mais próximo. O processo, que começou na Europa, encontrou pares em vários países do ocidente e deu origem a uma nova disciplina: a Antropologia da Ciência. Em um seminário de dois dias e meio na UFRGS – Ciências da Vida: Antropologia da Ciência em Perspectiva – , professores pesquisadores do Brasil, Portugal, França, Inglaterra e Estados Unidos, dividiram suas teses com um público bastante interessado nesse novo caminho. O professor Guilherme Sá, atualmente na UnB, conta que um grupo de discussão virtual criado por ele e cinco estudantes da pós-graduação em 2005, o REACT, Rede de Antropologia da Ciência e Tecnologia, hoje está com mais de 100 pessoas. Um primeiro congresso no Rio de Janeiro, em 2007, reuniu 30 pessoas; em 2009, um segundo, em Minas Gerais, teve a participação de 120 pessoas. O nome da disciplina, Antropologia da Ciência, não é uma unanimidade, há questões sobre se uma nova espécie de “facção” na área seria adequada, mas diante do diferencial que traz de volta uma possibilidade de comunicação maior com a sociedade, parece não deixar dúvidas de que, afinal, não se pode conter os movimentos sociais espontâneos que acabam sendo determinantes, dentro ou fora da antropologia. Segundo o professor Sérgio Carrara, da UERJ, que entrou espontaneamente na área ao pesquisar relações entre discursos médicos sobre o HIV, saberes jurídicos e psiquiatria forense, ainda na década de 1980, “a importância da Antropologia da Ciência é a busca por intervenções eficazes, não só de hipóteses”.

“Eu estava lá pesquisando as relações dentro do tribunal sobre as questões da paternidade, quando no meio da pesquisa surgiu o teste de DNA e aquilo mudou tudo, foi uma reviravolta” | Ramiro Furquim/Sul21

A professora Cláudia Fonseca, da UFRGS, uma das organizadoras do evento, narra sua entrada, também espontânea, também na década de 1980. “Eu estava lá pesquisando as relações dentro do tribunal sobre as questões da paternidade, quando no meio da pesquisa surgiu o teste de DNA e aquilo mudou tudo, foi uma reviravolta. O teste de DNA estava acima de tudo e de todos, não havia mais a discussão anterior, era uma nova discussão que surgia, novas relações, novos comportamentos diante do mesmo problema”.

A cerebralização da saúde

“Existe uma retórica de que somos o que podemos ser” |Ramiro Furquim/Sul21

Rogério Azize, professor da UFRJ, trouxe o tema de sua tese de doutorado: A Nova Ordem Cerebral — a concepção de ‘pessoa’ na difusão neurocientífica. Segundo ele, existe um certo ufanismo neurocientífico na mídia. “A descoberta das sinapses e de suas funções lembra a descoberta do átomo”. O vocabulário, já popularizado, de palavras como neurônio e serotonina entra facilmente numa espécie de mundo esotérico da neurociência em que o cérebro muda o discurso de quem somos. “Existe uma retórica de que somos o que podemos ser e de que os conhecimentos da neurociência podem ser usados por nós mesmos em nosso próprio benefício quando o cérebro passa a ser um órgão superior ao corpo, um órgão que podemos higienizar na busca da felicidade pessoal”. O cérebro como caixa-preta do nosso corpo teria todas as respostas para nossos comportamentos e aí entra a mídia e suas divulgações “científicas” que, na tradução para o público, banaliza saberes que se transformam em intervenções a serviço do mercado.

Homem com T, de testosterona

“Somente na virada do ano 2000 houve uma explosão de artigos da urologia e da andrologia” | Ramiro Furquim/Sul21

A professora Fabíola Rohden, da UFRGS — coordenadora do projeto Diferenças de Gênero na Recente Medicalização do Envelhecimento e Sexualidade: a Criação das Categorias Menopausa, Andropausa e Disfunção Sexual –, debruçou-se sobre a interferência da mídia em clara conivência com a indústria farmacêutica. “O climatério masculino aparece como doença na década de 1930, mas na década de 1940 a reconstrução da sexualidade não era bem-vinda, somente na virada do ano 2000 houve uma explosão de artigos da urologia e da andrologia” A impotência desaparece da semântica e surge um novo nome para a “doença”, mais palatável para a indústria: “disfunção sexual”, o qual se popularizou com o lançamento do viagra. Quebrada a patente, o viagra já não faz tanto sucesso e a onda agora é o Nebido, droga à base de testosterona. Em 2005, a revista Veja lançou um especial: Homem, Guia de Orientação para Saúde e Sexualidade; na mesma época, os congressos para médicos, ricamente patrocinados pela indústria farmacêutica, começavam a se reproduzir. Os materiais empíricos coletados pelas pesquisadoras foram folhetos em congressos de medicina. O X Congresso de Medicina Sexual, realizado em 2005 no Costão do Santinho, em Florianópolis, foi inundado por folhetos distribuídos pelos patrocinadores do evento: Bayer, Shering Pharma, Eli Lilly do Brasil Ltda, apresentados como Gold Sponsor e Bronze Sponsor. Na área dos expositores, oito ao total, dois apresentavam próteses penianas.

Pesquisas patrocinadas por laboratórios afirmam que 88% dos homens com deficiência de testosterona têm um risco maior de morrer e os questionários, veiculados em revistas, para que o homem descubra qual é seu grau de queda de testoterona e a partir daí procure seu urologista, apresentam questões como: “Você tem a sensação que já foi passado o ponto máximo de sua vida?”

A mulher limpinha

“A mídia agiu mais uma vez como o grande difusor do melhor método” | Ramiro Furquim/Sul21

Daniela Manica, atualmente na UFRJ, falou sobre sua tese de doutorado, defendida na UNICAMP: Contracepção, Natureza e Cultura: Embates e Sentidos na Etnografia de uma Trajetória.

Usando como fio condutor a vida profissional do médico Elsimar Coutinho, ela recuperou a trajetória brasileira na área da obstetrícia, que defende a interrupção da menstruação por uso ininterrupto de tratamento hormonal.

A mídia agiu mais uma vez como o grande difusor do método como o melhor, o ideal e inquestionável contraceptivo, não apenas ignorando a forma como os hormônios artificiais atuam no corpo humano e os estudos sobre efeitos colaterais, mas dando ênfase aos efeitos técnicos de uma maneira bastante linear. O foco é apenas no objetivo, na escolha de não correr riscos de engravidar, com a “vantagem” de não menstruar.

Trajetória de uma ciência que virou crença

“As mulheres sempre tiveram medo de ter bebês com problemas e o mercado aproveitou-se disso” | Ramiro Furquim/Sul21

A professora Ilana Löwy, do Centre de Recherche Medicine, de Paris, falou sobre o gerenciamento do corpo das mulheres grávidas, que começou com a patologização da mulher grávida e hoje se estende ao feto, com uma quantidade exarcebada de exames utilizados como políticas públicas de saúde em muitos países, sem que sejam realmente necessários ou úteis de alguma forma. Na Europa, após nascimentos de bebês com malformações devido ao uso do medicamento talidomida por grávidas, houve um despertar feminino para a possibilidade do aborto. Este, efetuado na maioria dos países ocidentais, trouxe um novo olhar médico e técnico que visava “garantir” às mulheres que seus bebês seriam saudáveis. Hoje, a busca pelo bebê saudável virou o bebê ideal. Dos anos 1960 aos anos 1990 foi um salto em busca da garantia do bebê ideal. As promessas da genética fizeram com que o fator de risco deixasse de ser preocupação. A amniocentese, que surgiu na década de 1980, inicialmente para identificação da Síndrome de Down, logo num segundo momento, em função do mercado, na França deixou de ser útil, já que estava atingindo um público de mulheres mais velhas e ricas, mas os bebês com a síndrome estavam nascendo de mulheres jovens porque elas engravidavam mais. “As mulheres sempre tiveram medo de ter bebês com problemas e o mercado aproveitou-se disso”, afirma Löwy. Hoje os testes genéticos na França, segundo Löwy, detectam apenas 2% de malformações”. A indústria não leva em conta os dados estatísticos para fazer os exames e as mulheres, pelo medo atávico de um bebê com problema, se submetem a testes invasivos com custos emocionais já mapeados, mas pouco divulgados.

Câncer de mama

E assim ocorre com o câncer de mama. Em nome de pesquisas ainda incipientes, que identificaram o gene BRCA 1 e 2 como causa genética para o câncer de mama, mulheres inglesas estão extirpando os seios como forma de prevenção, com anuência dos médicos. Mas o fato da pessoa ter o gene, não significa absolutamente que ela vai desenvolver o câncer. Este foi o tema da palestrante Sahra Gibbon, que atualmente pesquisa mulheres com o gene BRCA 1 e 2, em Porto Alegre. “Estamos ainda em estudo para examinar como e com que consequências os campos da medicina genômica são traduzidos”, afirma.

Bebês, a imagem sem imagem

“Inicialmente a idéia era mostrar a construção do feto como pessoa, mas o que apareceu foi o prazer de ver o feto.” | Ramiro Furquim/Sul21

A médica e psicanalista Lilian Chazan compartilhou impressões vividas durante uma pesquisa de mestrado sobre verdades médicas e não-médicas. “Inicialmente a idéia era mostrar a construção do feto como pessoa, mas o que apareceu foi o prazer de ver o feto.” Durante o período de observação, estabeleceu-se como critério avaliar os espaços, a rotina, o cotidiano e o tempo. Num hospital público, no setor de ultrassom, havia uma secretária que recebia os resultados dos exames. Estes eram “cantados” pelos médicos, já que a máquina de ultrassom não contava com tinta e papel na impressora. As imagens não eram gravadas ou arquivadas de alguma forma. Havia diariamente um entra e sai de médicos e residentes na sala onde as mulheres estavam recebendo seus dez minutos de monitoramento. Nesse ambiente, eles discutiam assuntos variados como listas de casamentos, regras para obtenção de passaportes, até discussão de casos clínicos. A importância da relação médico-paciente era afirmada pela maioria, mas na prática a gestante era secundária, não era chamada pelo nome e não a ouviam. A secretária se esforçava muito para atender as diversas demandas pacientemente. Um dia, diante de um erro de interpretação, assumiu-se como absoluta culpada e disse: “A culpa é minha, preciso arranjar um jeito de instalar um tipo de motorzinho para funcionar melhor.”

Adoção e inseminação, eis a questão

Martha Ramirez, professora da UEL, trouxe a tecnociência como produtora de respostas ao mundo contemporâneo. No mercado, o filho biológico está no mercado acima do filho adotivo. Ela conta que quando iniciou o estudo, o cadastro de adoção de São Paulo não estava funcionando e por isso procurou em comunidades do Orkut grupos de discussão sobre adoção. Encontrou mais de 1000 grupos sobre o assunto e nesses grupos discutia-se também a reprodução assistida. A maior parte das mulheres havia partido para adoção como segunda opção. O argumento comum é que os pais têm o direito à liberdade de ter um filho próprio no lugar de um filho de outros, o que faz com que o plano para adquirir o filho próprio seja semelhante ao de adquirir a casa própria. Na prática, faltam políticas públicas que coloquem as duas possibilidades como reais. O que está ocorrendo é uma espécie de ritual de passagem pela reprodução assistida antes da adoção ser procurada.

Pesquisas revisadas

Marko Monteiro, da Unicamp, descortinou variáveis que não foram levadas em consideração em pesquisas genéticas. “Pesquisas afirmam que não existem raças, mas crescem em número pesquisas com foco na raça”, diz Monteiro. A lógica atual para o câncer de próstata é que, se entendermos melhor o DNA, seria possível direcionar melhor a terapia. “Foi constatado que negros norteamericanos têm uma incidência maior de câncer de próstata em relação aos homens norteamericanos brancos, mas haveria de considerar que os negros norteamericanos têm uma vida muito distinta da dos brancos norteamericanos. Têm menor acesso a serviços de saúde, segurança, além de hábitos bem diferentes. As disparidades aumentam diante do questionamento de dados. “A ciência não é só científica, a ciência também é política, social e econômica,” diz Monteiro.

A caminho do crime perfeito

Em entrevistas nos presídios de Portugal, onde o programa de televisão CSI é um sucesso entre os prisioneiros, Helena Machado, da Universidade do Minho, em Portugal, colheu depoimentos como: “A gente tem que ficar esperto, agora não é mais só usar uma luva, qualquer gotinha de sangue ou fio de cabelo pode atrapalhar tudo”. A divulgação banalizada das práticas de cientistas forenses chega ao público sedutoramente misturando sexo, crime e romance. O geneticismo no mundo do crime tem uma falha grave: a implantação de provas na cena do crime, que pode ser intencional ou acidental podem levar a erros graves de julgamento.

Localizado o fio condutor dos protestos globais

A professora Ondina Fachel, da UFRGS, brindou a plateia com o primeiro capítulo de um livro recém-lançado sobre estudos a respeito do regime de propriedade intelectual.

O termo propriedade intelectual está diretamente ligado ao regime jurídico global. No período do pós-guerra, houve uma reorganização global que trouxe para nosso convívio uma necessidade de acumulação de capital, investimentos maciços em tecnologia e o surgimento das multinacionais. Nasceu uma nova gestão do sistema econômico, foram fundados o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. Os desdobramentos não pararam mais: surgiu o GATT, sigla em inglês para o Acordo Geral de Tarifas e Comércio, e por consequência a hegemonia dos Estados Unidos no comércio internacional. Na década de 1980, para validar e ampliar essa força, houve a criação da Organização Mundial do Comércio e o acordo do TRIPS, um acordo multilateral que legitimou e intensificou as formatações de propriedade sobre recursos na área do conhecimento, que vai desde símbolos, procedimentos, passando modos de vida, ideias. O TRIPS parece invisível, mas age na contramão da natureza pública, cercando e privatizando a produção cultural, científica e tecnológica. A OMC tem poder de retaliação comercial em escala mundial e nos impõe uma realidade de mercantilização da vida sem levar em conta as características de desenvolvimento de cada país. Atua diretamente em tudo aquilo que chamamos cultura, incluindo a cultura tecnológica, como as questões relacionadas ao software livre e aberto, bem como patentes.

Com os avanços tecnológicos no campo médico e farmacêutico, houve a expansão da proteção patentária para a aquisição de remédios pelo TRIPS, o agente impedidor de acesso à medicação nos países em desenvolvimento.

O atual regime de propriedade intelectual global tem seu calcanhar de Aquiles. Ele também não é adequado aos países desenvolvidos. Lá como cá, os direitos das pessoas estão sendo massacrados. Morando em país rico ou pobre, as pessoas não querem mais comer o agrotóxico. Lá como cá, queremos saber o valor exato da tecnologia, sem os descontos extras de procedimentos e pesquisas encomendadas por laboratórios. Lá como cá, anseiam os seres humanos por finalmente desfrutar dos direitos humanos universais e inalienáveis, que nos prometeram somente no discurso.

Assim, se até ontem a questão era discutir a importância ou a desimportância de líderes ou heróis políticos para os movimentos sociais que saltam pelo mundo, hoje sabemos que temos um fio condutor e um objetivo que é de todos: derrotar a perversão do mercado.

 

DISTÚRBIOS NO REINO UNIDO

ESPECIALISTAS TENTAM EXPLICAR

Muitas teorias foram discutidas nos últimos dias para tentar explicar as causas dos distúrbios na Inglaterra. De decadência moral a consumismo excessivo. No texto abaixo, criminologistas e especialistas dão opiniões a respeito de alguns dos argumentos.
Dependência do sistema de bem-estar:
Max Hastings, em um artigo para o jornal britânico Daily Mail, falou a respeito de um “espírito social pervertido, que eleva a liberdade pessoal ao absoluto, e nega à classe baixa a disciplina (…) que, sozinha, poderia capacitar alguns de seus membros para escapar do pântano de dependência em que vivem”.
David Wilson, professor de criminologia da Birmingham City University, afirma que existe uma cultura de merecimento na Grã-Bretanha. “Mas não é apenas relativa à classe baixa – é relativa aos políticos, aos banqueiros, aos jogadores de futebol”.
“Não é apenas com uma classe em particular, permeia todos os níveis da sociedade. Quando vemos políticos pedindo TVs de tela plana e sendo presos por fraudarem suas despesas, fica claro que os jovens de todas as classes não estão tendo uma liderança apropriada”, afirmou.
Exclusão social:
Camila Batmanghelidjh, fundadora da organização de caridade Kids Company, escreveu em um artigo para o jornal The Independent que existe uma percepção de que a comunidade não fornece nada aos seus membros. “…Não se trata do ataque ocasional contra a dignidade, é a humilhação repetida, ser continuamente desprovido em uma sociedade rica em posses”.
Estudos sugerem que viver em áreas socialmente desprivilegiadas pode ser um fator, de acordo com Marian FitzGerald, professora convidada de criminologia na Universidade de Kent. “Mas os excluídos sociais não são sempre os que causam os distúrbios, na verdade eles geralmente são os que estão mais vulneráveis aos tumultos. Precisamos de uma abordagem melhor ao invés de apenas usar a exclusão social como uma desculpa”.
Falta de pais:
Segundo Cristina Odone, do jornal Daily Telegraph, a causa dos distúrbios pode ser encontrada na falta de um modelo masculino nas famílias. “Como a esmagadora maioria dos jovens criminosos presos, estes membros de gangues tem uma coisa em comum: não há um pai em suas casas”.
“Criei dois meninos sozinha”, afirma a professora Marian FitzGerald. “Sim, existem algumas questões a respeito de onde os meninos vão tirar um senso positivo de masculinidade quando não tem ninguém em casa para dar isto. Mas se você tem uma família estável, então eles meninos podem ser bem-sucedidos”.
Cortes nos gastos:
O candidato do Partido Trabalhista à Prefeitura de Londres, Ken Livingstone, sugeriu em entrevista à BBC que as medidas de austeridade do governo foram responsáveis pelos distúrbios. “Se você está fazendo grandes cortes, sempre há o potencial para este tipo de revolta”, disse.
Mas, para a professora FitzGerald, é muito cedo para afirmar isto. “A total implementação dos cortes para os serviços de autoridades locais, que terá o maior impacto nestas áreas, só será sentida no próximo ano”. “No entanto, pode ser que devido à tanta informação sobre a polícia cortando gastos, os causadores dos tumultos podem ter assimilado a mensagem de que a probabilidade de serem pegos é menor”.
Pouco policiamento:
Em um editorial, o tabloide The Sun afirmou que é “loucura” o fato de canhões de água não terem sido disponibilizado para os policiais e que o Parlamento “não deve ser sensível” a respeito do uso de gás lacrimogêneo e munição não letal.
Também foi discutido o impacto das críticas ao policiamento dos protestos durante a reunião do G20 em Londres, em 2009. Alguns comentaristas sugeriram que os policiais podem ter medo de enfrentar os saqueadores diretamente temendo processos.
O professor David Wilson afirma que pode ter feito alguma diferença se os saqueadores tivessem encontrado um policiamento mais forte. “Vários saqueadores que foram entrevistados claramente gostavam do sentimento de poder. Eles foram estimulados a sentir que as cidades pertenciam a eles”, disse. “Mas, não acho que isto está relacionado ao politicamente correto. O que tem caracterizado a Justiça britânica nos últimos 25 ou 30 anos é o grande número de jovens que mandamos para as prisões em comparação com nossos vizinhos europeus”.
Racismo:
A violência começou no bairro londrino de Tottenham, no sábado, depois da morte de Mark Duggan, um negro de 29 anos, baleado pela polícia. Christina Patterson, do jornal The Independent, afirmou que a questão racial não pode ser negligenciada.
“Muitos homens negros foram mortos pela polícia. Muitos homens e mulheres foram tratados como criminosos quando não eram. Esta não é a causa destes distúrbios, mas está lá, na mistura”.
Mas a professora FitzGerald afirma que as mortes nas mãos da polícia são muito raras. “Segundo relatórios do IPCC (comissão que supervisiona o trabalho policial) nos últimos três anos ocorreram apenas sete e todos elas foram de pessoas brancas”.
“A Polícia Metropolitana passou por grandes mudanças de atitute (…). Dito isto, o uso desproporcional dos poderes de parada e busca em cidadãos levou jovens negros em particular, que normalmente obedecem à lei, a potenciais confrontos com a polícia”, acrescentou.
Gangsta rap e cultura:
Escrevendo para o Daily Mirror, Paul Routledge culpou a “cultura perniciosa de ódio que cerca o rap, que glorifica violência e despreza a autoridade (especialmente a polícia, mas incluindo os pais), exalta o materialismo inútil e elogia as drogas”.
Para o professor David Wilson está claro que a cultura das gangues é um fenômeno real. “Uma vez eu entrevistei um menino que disse que ‘apenas porque eu gosto da música não significa que eu concordo com as letras’, e isto é verdade”, afirma a professora FitzGerald. “Mas pode ser um fator quando levamos em conta aqueles podem ser particularmente suscetíveis”.
Consumismo:
“Estes são saques em shoppings, caracterizados pelas escolhas dos consumidores”, afirmou Zoe Williams, do jornal The Guardian. “Isto é o que acontece quando as pessoas não têm nada, quando coisas que eles não podem pagar são constantemente esfregadas em suas caras e eles não tem razão para acreditar que serão capazes de comprar estas coisas algum dia”, acrescentou.
A professora Marian FitzGerald afirma que, em estudos sobre crimes de rua, este é um fator a ser lembrado. “Mas, com os distúrbios recentes, eu não tenho certeza – no contexto dos saques, está relacionado com o que você pode fazer. Além de telefones celulares e roupas, também houve roubos de coisas pequenas como doces e latas de cerveja”.
Oportunismo:
“Enquanto mais e mais pessoas se envolveram com os distúrbios, outros tentaram se juntar a eles, confiantes de que uma pessoa em um mar de centenas tem pouca probabilidade de ser pega ou responsabilizada”, escreveu Carolina Bracken para o jornal The Irish Times.
“Oportunismo misturado com o sentimento de fazer parte de uma grande gangue poderão ter estimulado quem normalmente não faria algo assim”, afirma a professra FitzGerald. “Também é significativo o sentimento de invulnerabilidade, pois eles fazem parte de algo tão grande. E também está ligado a isto o sentimento de fazer algo transgressivo e se sentir poderoso em uma cultura na qual eles não tem muito poder”.
Tecnologia e redes sociais:
“Redes sociais e outros métodos foram usados para organizar estes níveis de ganância e criminalidade”, afirmou Steve Kavanagh, da Polícia Metropolitana.
Para o professor David Wilson, este é um fenômeno pouco explorado. “Durante anos sabemos que gangues e hooligans usavam a tecnologia para se juntar e brigar. Acho que a polícia foi muito lenta para reagir a isto”. “Mas, como sabemos, telefones celulares também podem ser usados para enfrentar a criminalidade e, até certo ponto, acho que é algo que a polícia prefere subestimar”, acrescentou.
 

PROTEJO ESTEIO ANALISA PROPOSTA DA COOPSSOL

A Prefeitura de Esteio analisa duas proposta da COOPSSOL Brasil para execução do Programa PROTEJO do Ministério da Justiça naquele municipio. A COOPSSOL participou do processo classificatório, ficando situado em segundo lugar no ítem UM formação de 300 jovens e em Terceiro no ítem dois Acompanhamento, Monitoramento e avaliação do Protejo. Este projeto ‘Proteção de Jovens em território Vulnerável visa desenvolver uma ação de acolhimento e qualificação para resgatar jovens cumprindo medidas socioeducativas ou em situação de violência e abandono. Para a prefeitura de Esteio o Território da Paz no Jardim Primavera é o local onde são encontrados os indicadores de carência e necessidade de um conjunto de ações de formação e medidas de resgate de situações de vulnerabilidade que se encontram. Tão logo tenhamos conhecimento da analise técnica (que será certamente favorável) vamos atuar nessa realidade na perspectiva de transformá-la.
 

VOLTAMOS

Nossa página esteve fora do ar por um mês. Uma armadilha técnica  a tirou do ar. Refeitos do susto voltamos a  colocar as informações que interessam as cooperadas e cooperados e nossos parceiros da economia solidária.

 

Boletim da RIPESS – Rede Intercontinental para a Promoção da economia social e solidária

Boletim Internacional de Desenvolvimento Local Sustentável
Boletim Informativo nº 78 – 1 maio de 2011
Sumário
Mensagem da equipe editorial 1
Comunicado do RIPESS 3
FIESS – Programação e inscrição 4
Mensagem da equipe editorial

O encontro dos membros do Conselho de Administração da RIPESS (Rede Intercontinental para a Promoção da economia social e solidária) em Paris, de 28 a 31 de março de 2011, constitui a principal informação deste boletim n° 78. Era a primeira vez, desde 2008, que a quase totalidade de seus membros podiam se reunir por um período de tempo bastante longo, para ter o tempo de informar-se sobre a atividade de uns e outros e de debater a fundo, conceitos e desafios. Este encontro foi possível graças ao convite da Fundação para o Progresso do Homem em parceria com a coordenação da RIPESS; esta coordenação é assegurada por Nancy Neamtan do Chantier de l’Économie Sociale do Quebec. É um acontecimento, um ponto de chegada e um ponto de partida para o movimento da economia solidária. Os grandes temas foram reexaminados, o que levou a verificar que valores comuns são partilhados. Uma base consensual sobre o projeto coletivo dos dois próximos anos é assumida por uma equipe realmente internacional, que assumiu certas práticas e está presente em todos os continentes. Um processo de trabalho se inicia com um calendário comum, construindo a agenda internacional cidadã. O Comunicado de 6 de abril, que reproduzimos abaixo, define as primeiras metas.

Para os três, é um momento muito feliz já que nosso longo companheirismo nos permitiu partilhar intensamente durante a parte não estatutária do encontro. É também um encorajamento para continuar nosso trabalho de informação das iniciativas das comunidades e das localidades, mas também dos acontecimentos e da vida das redes com as quais estamos articulados em todo o mundo. A construção da reciprocidade e a prova pelo exemplo das práticas são engajadas, bem como a organização das solidariedades em novas escalas e novas formas. A abordagem integra melhor a perspectiva de interligar o global e o local para fundar de novo a economia, partindo de nossos territórios respectivos. De fato, o global se encontra no local. É concreto, mas não menos complexo para instalar democraticamente complementaridades e cooperações nas práticas locais, nas disposições gerais, nas regulações e nos comportamentos… Os desafios são imensos para transições pacíficas em direção a novos horizontes de desenvolvimento, para reduzir as desigualdades, estancar a pilhagem dos recursos naturais, sair do nuclear, fazer aceitar a noção de decrescimento em lugar da de crescimento. Como passar da situação atual àquela de um planeta viável para todos?

Dois pedidos, expressados durante o encontro, recorrem à dimensão alternativa revisitada estas últimas décadas pela economia solidária. Membros da RIPESS, cujos países de sua região conhecem atualmente revoltas populares contra as ditaduras, perguntam-se como fazer progredir a cultura democrática de suas sociedades. Aprendizagens coletivas existem em nossas redes, mas a declinação para esta escala está para ser inventada, o que se constitui em verdadeiro desafio para a cidadania e a paz mundial. Um pedido provém de nossos amigos japoneses que sofrem as consequências de decisões que eles não quiseram: pedem-nos para abrir o debate sobre a energia nuclear, cujas catástrofes são destruidoras da vida naquilo que ela tem de mais fundamental. Para a eficácia dos socorros, a organização das solidariedades, em um primeiro momento, é local, mas no meio e longo prazo, eles desejam que se abra o debate que poderá definir o mundo que queremos. Pensando em nossos descendentes. Sem um verdadeiro debate de fundo sobre o futuro que desejamos, como validar um consenso bastante sólido para ter sustentabilidade? Se não fizermos isto, com a experiência e os resultados já obtidos, quem o fará?

O Boletim quer contribuir para estas perspectivas conservando sua clara linha editorial: a autonomia, partir da base, a medida modesta de um engajamento voluntário, ao serviço da difusão das respostas concretas e das convergências coletivas para ganhar influência e capacidade de afirmação. Nós temos a convicção que as abordagens alternativas são hoje mais realistas e mais oportunas que a irresponsabilidade acelerada pelo seu próprio movimento que reina nas cúpulas e que nos levou ao desastre. Sempre demos uma grande importância, desde o início de nosso boletim em 2003, à construção das solidariedades, além das culturas e das línguas. É o motivo pelo qual publicamos este boletim em quatro línguas, pois há ainda muito poucos intercâmbios de conhecimentos e relações horizontais de ajuda mútua entre habitantes, lá onde eles vivem, com aqueles que, em outros países, outras línguas, em outras escalas, buscam construir e fazer conhecer novas formas de organização solidária, para sair do modelo atual de sociedade.

Por isso, como leitores assinantes, expressem seu ponto de vista sobre: a pertinência, os conteúdos e a alargamento do impacto do boletim… para que juntos possamos fazer progredir estes objetivos no difícil momento atual. E para comunicar relatos de experiências em suas respectivas regiões do mundo.
Equipe editorial
Judith Hitchman
Yvon Poirier
Martine Theveniaut
O Conselho de administração da RIPESS (Rede Intercontinental para a Promoção da economia social e solidária), reunido em Paris, de 28 a 31 de março de 2011, tomou nota dos avanços significativos do movimento da economia social e solidária em todos os continentes e confirmou sua determinação para continuar e reforçar seu trabalho de promoção da economia social e solidária como resposta à crise que nosso país atravessa!

A RIPESS, que se apoia antes de tudo sobre as dinâmicas de cinco redes continentais, agrupa milhares de organizações e de empresas de economia social e solidária. O Conselho tirou partido de um encontro de quatro dias em Paris para declarar que mais do que nunca a economia social e solidária (ESS) é uma alternativa necessária ao modelo dominante de desenvolvimento que continua a gerar pobreza e exclusão e que levou o nosso planeta a uma crise ambiental aguda.
Este encontro permitiu observar o fato de que as redes continentais se consolidam na África, na Europa, na América latina e no Caribe, na Ásia bem como na América do norte. O Conselho definiu uma estratégia para facilitar as comunicações e prosseguir o trabalho de construção de redes continentais sólidas.

Os representantes de diferentes continentes chamaram a atenção do Conselho para situações que exigem um apoio imediato e uma reflexão de maior alcance. As revoltas dos povos árabes levantam a questão do caminho a seguir e da estratégia econômica que deve prevalecer para responder às aspirações expressadas por estes levantes populares. Além da solidariedade imediata e concreta que devemos expressar a nossos irmãos e irmãs japoneses, como responder às questões levantadas por esta catástrofe nuclear se as relacionarmos com nosso modelo de desenvolvimento? Finalmente, a repressão em curso contra os movimentos populares no Honduras nos lembra que o desenvolvimento social e solidário deve caminhar de mãos dadas com o respeito aos direitos humanos e com o exercício da democracia.

Durante os próximos meses, o Conselho da RIPESS decidiu tirar proveito de vários eventos internacionais para prosseguir seu trabalho de promoção, concertação e de propostas para a economia social e solidária. O próximo encontro será o Fórum internacional da economia social e solidária (FIESS), que acontecerá em Montreal, Canadá, de 17 a 20 de outubro de 2011. Este encontro será uma oportunidade para refletir juntos, poderes públicos e sociedade civil, sobre as políticas necessárias para o desenvolvimento da economia social e solidária. O encontro Asian Solidarity Economy Forum, que acontecerá em novembro de 2011, em Kuala Lumpur, permitirá a representantes de vários países asiáticos adotarem uma estratégia comum para o desenvolvimento da economia social e solidária na Ásia. Em 2012, será na Tunísia que a Rede africana se encontrará para consolidar uma ESS com características africanas. Finalmente, convidado pela RIPESS da América latina e Caribe (RIPESS-LAC), a RIPESS marcou um encontro no Rio de Janeiro, no âmbito de Rio + 20, para ampliar a contribuição da economia social e solidária em um movimento mais largo para um desenvolvimento mais humano, mais sustentável e mais justo.

Em último lugar, o encontro da RIPESS em Paris permitiu constatar que, em que pese a realidades muito diversas, os atores da economia social e solidária em toda parte no planeta partilham uma visão e valores comuns. Eles entendem continuar a aprofundar as partilhas para melhor articular e, sobretudo, construir esta economia social e solidária que coloca o humano e o futuro de nosso planeta no cerne de suas preocupações.
Para mais informações:
Maude Brossard
Chantier de l’économie sociale –Canadá-América do Norte
info@ripess.org
FIESS – Programação e inscrição

Prezados (as) colegas, colaboradores (as), parceiros (as) e amigos (as),

É com muito prazer e entusiasmo que nós lhes anunciamos a apresentação em linha da Programação e a abertura das Inscrições para o Fórum Internacional da economia solidária (FIESS) que acontecerá em Montreal de 17 a 20 de outubro de 2011.

Todas as inscrições para este evento serão realizadas no site Internet www.fiess2011.org. No momento de sua inscrição, você poderá reservar um hotel para sua estadia e inscrever-se em uma das atividades organizadas em torno do FIESS, entre outras, visitas de campo em empresas de economia social.

No site, você encontrará também informação detalhada sobre as atividades e as apresentações programadas durante o FIESS, informações práticas sobre Montreal e o Palácio dos Congressos onde acontecerá o fórum e uma seção FAQ para responder a eventuais perguntas.

Será um grande prazer receber todos vocês em outubro!

Le Chantier de l’économie sociale
forum.international2011@chantier.qc.ca

 

XIII FEEPS

Guilherme Fantin (foto) Presidente da COOPSSOL participou da reunião

FEIRA ESTADUAL (Espaço em disputa) A Realização da 13ª edição da Feira Estadual da Economia Popular e solidária volta a ser palco de disputa. Com a Reforma do Largo Glênio Peres pelo Grupo VONPAR (Coca-cola) interesses contrários a cedência daquele espaço público para a Feira voltaram a se colocar de uma forma aberta ou velada. Essa foi a constatação da Coordenação Estadual da XIII FEEPS a qual reuniu-se nesta quarta 20/07 na sede da COOPSSOL para buscar formas de pressionar a administração Municipal a definir o espaço da Feira. A cada ano essa história vem se repetindo, pela realização de obras, as quais até o momento a que ocorreu foram a reforma/ampliação do Chalé e da praça contígua ao mesmo. As demais reformas foram cosméticas. Colocação de PIER em frente ao mercado e a construção de um anunciado chafariz que poucos sabem onde ficará. Todas estas alterações não trazem conflito com a realização de apenas 10 dias da Feira. O que mais chama a atenção é uma decisão de ‘liberar’ um estacionamento  sobre o local com o argumento de favorecer o comércio e a ‘segurança’ do entorno. O que se discute é o uso do espaço público compartilhado por todas e todos que constróem essa cidade.

 
 
 
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