Tijolo ecológico é feito com mistura de barro e manipueira

Do sitio www.unisolbrasil.org.br

Santana do Cariri – A manipueira, um líquido que sobra da prensagem da mandioca, está sendo utilizada na produção de tijolos ecológicos, o chamado tijolo de adobe de terra crua e moldado em fôrmas artesanalmente. A grande vantagem é que o processo de fabricação não exige a queima do tijolo. É só misturar o barro com a manipueira, colocar na fôrma e deixar ao ar livre. Ao contrário do produto convencional, que é queimado com lenha, o tijolo de adobe aproveita a luz solar.

Os elementos químicos presentes no líquido fazem o papel do fogo, pois sua evaporação endurece a peça do mesmo modo que o fogo faria. Esse processo reduz o uso de água, poupa a matriz calorífica, que é a lenha, evitando o desmatamento e a emissão de gases com a queima.

Outra vantagem é a não poluição do meio ambiente. “Este é o grande mérito do processo”, diz o técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), Acácio Moraes, destacando que o trabalho é executado dentro dos princípios da construção ecológica, buscando o mínimo impacto ambiental, enfocando a utilização de materiais regionais e valorizando a mão-de-obra local.

É uma técnica de construção natural em que o principal recurso utilizado para construí-lo é o barro, que é encontrado no próprio local da construção. Acácio explica que o processo não é novo. O adobe foi utilizado por todas as grandes civilizações. Pode-se tomar, por exemplo, o material para construir a Muralha da China, já que em boa parte de sua construção o bloco de adobe foi utilizado. No Brasil, este modelo de alvenaria foi trazido pelos portugueses, ainda durante a colonização.

“A construção feita com este tijolo torna-se muito resistente. O interior das casas fica muito fresco, suportando muito bem as altas temperaturas. Em regiões de clima quente e seco, é comum o calor intenso durante o dia e sensíveis quedas de temperatura à noite. A inércia térmica garantida pelo adobe minimiza esta variação térmica no interior da construção”. Ao fazer este comentário, Acácio acrescenta que a restauração dessa técnica de fabricação de tijolo é de fundamental importância para evitar o desmatamento da Serra do Araripe.

O exemplo vem da natureza. O joão-de-barro, conhecida ave nordestina, constrói seu ninho de barro em forma de forno, misturando palha e esterco seco com barro úmido. O ninho suporta chuva e sol por muito tempo. “É assim que nós fazemos”, compara o agricultor José Ivanildo dos Santos, destacando que a maioria das casas do Sítio Cajueiro é de tijolos crus.

Família de agricultora já aguarda conclusão de casa feita com o tijolo ecológico de manipueira . Foto: Antonio Vicelmo.

Peculiaridade

O ninho do joão-de-barro consiste em uma bola de barro, dividida em dois compartimentos. A porta, que permite ao pássaro entrar sem se abaixar, impede que o vento atinja o interior, pois é sempre voltada para o norte. Macho e fêmea ocupam-se ativamente da construção, transportando bolas de barro que são amassadas com os bicos e com os pés.

Outra peculiaridade da casa é a localização da porta de entrada, estrategicamente posicionada na direção contrária à chuva e ao vento. Os agricultores dizem que, quando o joão-de-barro faz a porta de entrada do ninho virada para o nascente, é sinal de que o ano vai ser seco. Até hoje os ornitólogos (estudiosos das aves) não sabem como o joão-de-barro desenvolveu essa habilidade, que o mantém protegido das intempéries. Após cerca de duas semanas, o ninho fica pronto e a fêmea põe seus ovos.

O agricultor José Veranildo Ângelo da Silva, que está construindo sua casa com tijolos crus na Vila Cajueiro, diz que um milheiro de tijolos crus custa R$ 40, enquanto o tijolo de bloco chega em cima da serra por mais de R$ 300 um milheiro. “A economia é mais de 80%”, estima o agricultor. O pedreiro Esmerino Cabral tem os cálculos na cabeça. Enquanto um metro quadrado de parede com bloco consome somente 25 tijolos, o mesmo espaço é feito com 50 tijolos de adobe, o que aumenta um pouco os custos e a mão de obra. Mas esta diferença é diluída no assentamento.

Esmerino Cabral, pedreiro, constrói casa utilizando o tijolo ecológico. O produto, ainda feito em escala artesanal, proporciona conforto ambiental para os moradores do imóvel. Foto: Antônio Vicelmo.

Material consistente

O tijolo cru não precisa de cimento. Do ponto de vista técnico, segundo o pedreiro, a parede com tijolo cru é mais consistente. Mesmo assim, a maioria das casas de farinha da Serra do Araripe continua desperdiçando a manipueira no solo.

A Ematerce, que vem acompanhando o processo de fabricação de farinha e goma, está incentivando o aproveitamento do resíduo, não somente na fabricação de tijolos, mas também como fertilizante, substituindo os agrotóxicos das lavouras, sendo um defensivo natural contra formigas, carrapatos e doenças que atacam as lavouras.

Também pode ser utilizado na produção de vinagre para uso doméstico e comercial, na produção de sabão, adubo orgânico e ração animal.

Acácio acrescenta que o objetivo do projeto é deixar evidente que existem alternativas possíveis de serem postas em prática, com processo simples, utilizando-se “terra crua”, que há milênios é empregada na construção de moradias, buscando soluções para estes graves problemas e sem danos ambientais.

O tijolo cru, segundo o técnico da Ematerce, pode ser uma alternativa viável para diminuir o custo desse componente na construção civil, e, conseqüentemente, na construção de novas casas populares.

Fique por Dentro 
Líquido tem grande potencial de nutrientes

A manipueira, que em tupi-guarani quer dizer “o que brota da mandioca”, tem um grande potencial de nutrientes. Pode ser utilizada como fertilizante natural, substituindo os agrotóxicos das lavouras, sendo um defensivo natural contra formigas, carrapatos e doenças que atacam as lavouras. Na produção de vinagre para uso doméstico e comercial, na produção de tijolos para a construção e na produção de sabão. A manipueira é rica em substâncias químicas como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre, ferro, zinco, cobre, manganês, boro, cianeto livre e cianeto total. Com assistência técnica, este líquido, que costuma ser desperdiçado, pode ser utilizado como ração animal.

Fonte: Regional – Diário do Nordeste.

 

A ilusão da igualdade

Mesmo com a queda dos índices de desigualdade, país mantém mazelas sociais

© PASCAL DELOCHE / GODONG / OPÇÃO BRASIL IMAGENS

Parabólicas se misturam à miséria na favela do Morro Dona Marta, Rio de Janeiro

Diversas pesquisas têm mostrado que a desigualdade econômica de renda corrente (proveniente de salários, pensões, juros) tem se reduzido sistematicamente no Brasil desde o início da décaca passada. Pesquisadores estimam que, se mantivermos o ritmo observado recentemente, em 2030 atingiremos o nível de desigualdade econômica semelhante ao de alguns países desenvolvidos, como o Canadá, onde há pouca diferença de renda entre os cidadãos e um altíssimo padrão de bem-estar social.

Não é fácil, porém, visualizar esse “Canadá de médio prazo” da janela do carro. “Apesar dessa queda, ainda estamos entre os 12 países mais desiguais do mundo, onde 1% dos brasileiros se apropriam da mesma renda que os 50% mais pobres e os 10% mais ricos têm 40% da renda”, explica o economista Claudio Dedecca, professor titular do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Os indicadores obtidos pela pesquisa A desigualdade socioeconômica no Brasil, financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento Superior (Capes), e coordenada pelo economista, cujo desenvolvimento metodológico tem sido incorporado em outros projetos realizados em equipe com os professores Walter Belik e Rosana Baeninger, da Unicamp, apontam para a necessidade de uma abordagem multidimensional das desigualdades na sociedade brasileira que não leve apenas a renda em consideração. “Não se pode negar o declínio da desigualdade da distribuição da renda na última década e de como essa recomposição resultou num recuo da pobreza de natureza monetária”, diz o economista.

“Mas é preciso falar de desigualdades em lugar de desigualdade. A baixa renda é apenas um dos riscos sociais a que se encontra exposta a população pobre. Temos que analisar ainda o acesso dessa população aos bens e serviços públicos como educação, saúde, terra, trabalho, alimentação, transporte, saneamento, água e habitação. A pobreza é uma situação de fragilidade socioeconômica de natureza multidimensional”, observa Dedecca. “Não basta combater a pobreza monetária: temos que reduzir os riscos socioeconômicos da população em miséria extrema. Os dados da pesquisa indicam que esse grupo ainda sofre com uma elevada vulnerabilidade no acesso ao mercado de trabalho e aos bens e serviços públicos e sociais. A redução desses riscos sociais, que é o objetivo real do crescimento, foi pequena, e os elementos de desigualdade de 2003 continuam presentes hoje”, explica.

“Se a população pobre aumentou seu poder de compra, continua alijada do acesso aos bens sociais. De que adianta ter renda canadense sem ter saúde, educação, habitação e saneamento de qualidade mínima? Os resultados obtidos pela nossa pesquisa mostram a manutenção de uma elevada desigualdade para a maioria dos indicadores”, fala o pesquisador. “A experiência dos países desenvolvidos mostra que fortalecer a renda reduz a pobreza, mas não a desigualdade”, concorda a economista Celia Kerstenetzky, da Universidade Federal Fluminense (UFF), coordenadora da pesquisa O Estado do bem-estar social no Brasil em perspectiva comparada. “Os Estados com melhor padrão de bem-estar social optaram por um nível de consumo digno, mas com políticas sociais amplas, universais e de qualidade elevada.”

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A tecnologia adentra os lares mais simples da favela carioca

Saneamento
“Algumas modalidades de bens e serviços podem ser acessadas via renda monetária ao menos para uma parcela da população, com maior poder aquisitivo. Mesmo assim, alguns destes bens ou serviços não são passíveis de individualização no seu fornecimento, como saneamento e transporte público. Para os segmentos mais pobres da população, eles necessitam ser fornecidos gratuitamente ou de modo subsidiado”, pondera Dedecca. Ou seja, desigualdade não é sinônimo apenas de falta de renda, mas de acesso à cidadania e serviços públicos que, no caso dos mais pobres, dependem da ação do Estado. “Assim, mesmo que os programas de transferência de renda tenham tirado 1,3 milhão de pessoas da miséria, os indicadores multidimensionais revelam a permanência de uma elevada vulnerabilidade de inserção no mercado e de acesso aos serviços públicos básicos”, diz. Em 2009, 3,2 milhões de famílias estavam nessa situação, boa parte não enquadrada nos critérios dos programas do Estado.

A política social brasileira vem conhecendo uma ampliação de escopo e cobertura, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988. Durante o período de instabilidade e crise econômica do país, a política social avançou em termos de cobertura, porém impondo uma baixa qualidade dos serviços prestados. A partir de 2003 a política social ganhou maior centralidade nas estratégias dos governos, que ampliaram os investimentos para elevar a qualidade das ações e dos programas. “A retomada do crescimento com geração de empregos formais e com uma política de valorização do salário mínimo fortaleceu os mecanismos de distribuição de renda, favorecendo as políticas sociais”, diz Dedecca. De início, a queda da desigualdade se deu com o empobrecimento dos mais ricos ao mesmo tempo que os mais pobres foram protegidos pela revalorização do salário mínimo. “Não se quer queda da desigualdade à custa dos ricos, mas aproximar os pobres aos padrões mais altos de renda.”

A partir de 2008 as novas condições do crescimento econômico, caracterizadas pela redução da desigualdade de renda corrente e da pobreza de natureza monetária, fizeram-se graças à valorização das políticas sociais e de trabalho e renda, que implicou uma relação menos desequilibrada dessas com a política econômica, modificando, mesmo que ainda de modo incipiente, os parâmetros adotados por técnicos e especialistas em orçamentos públicos. “Para isso, aumentamos muito os gastos federais com transferências de renda, que hoje representam 9% do PIB. Mas não se viu uma eficácia distributiva em função disso. A melhoria na distribuição de renda pouco teve a ver com o Bolsa Família, por mais que o programa alivie a vida das pessoas em pobreza extrema”, observa o economista Claudio Salm, da UFRJ, autor do livro Políticas sociais em tempo de crise (Editora Brasília, 1990). “O mais importante nesse processo foi o aumento das oportunidades de trabalho, com mais e melhores empregos criados a partir do crescimento econômico”, argumenta.

“Será preciso manter as taxas de crescimento elevadas por muito tempo para se aumentar os gastos com os programas de renda do governo. É a ‘teoria do bolo’: os avanços sociais são subordinados ao crescimento econômico”, avalia Salm. Dedecca concorda que, ao atingir a cobertura da população-alvo, os novos avanços da política de combate à pobreza passaram a depender de aumentos dos benefícios e do escopo dos programas. Fatores que, com certeza, exigem um gasto maior que o PIB e em muito superior ao orçamento do governo. “Mas não podemos ficar presos ao crescimento e ao fator renda, mas encontrar instrumentos que reduzam a desigualdade com inserção produtiva e acesso a bens públicos com qualidade”, pondera o pesquisador.

Inserção
Há quem discorde. “O acesso a bens públicos contribui para o bem-estar das pessoas, mas é inegável que a variável para atacar a desigualdade é a renda”, acredita o economista Sergei Dillon Soares, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), autor da pesquisa Erradicar a pobreza extrema (Texto para Discussão Ipea, 2011). “Depois de ‘dar os pobres aos mercados’ como consumidores está na hora de dar ‘os mercados aos pobres’ como trabalhadores. Isto é, tratá-los como protagonistas de sua história e menos como receptores de dinheiro público”, analisa Marcelo Neri. “Precisamos de um ‘choque de capitalismo’ para os pobres. A pergunta da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) é simples: “Quanto dinheiro você tem no bolso?”. É a soma da renda do trabalho, do que o aposentado da família ganha de pensão, do valor recebido dos programas sociais. Para o cidadão comum, é isso o que importa: o conforto que ele leva para a casa da família. E você nota que o bolso do pobre cresceu mais, proporcionalmente, que o do rico”, afirma.

Os indicadores da pesquisa feita pela equipe de Dedecca pedem mais cautela e menos pressa. “Programas de renda sempre existirão no país. Levará um tempo razoável para que essa população consiga retornar sozinha ao mercado de trabalho.” O fosso existente de renda das famílias pobres em relação à média do total de famílias é significativo. As primeiras auferem um rendimento médio per capita correspondente a menos de 4% do valor médio. Em relação aos rendimentos das políticas públicas, as famílias pobres recebem um valor correspondente a 1,4% daquele observado para a média do total das famílias Assim, a inserção produtiva, vista como “porta de saída” dos programas de transferência de renda, é complexa e limitada.

“Além disso, os indicadores mostram que a inserção não é a solução para a fragilidade social e é de difícil consecução: um de cada quatro membros das famílias pobres está desempregado, e os que trabalham vivem na informalidade”, adverte Dedecca. Sem vínculo formal, caem as chances de rendimentos adequados, de acesso a crédito, serviços bancários ou proteção social mínima. As diferenças regionais não atenuam as dificuldades. Segundo a pesquisa, a densidade da pobreza não tem relação direta com o grau de desenvolvimento econômico: os estados da Bahia e São Paulo, que possuem um notável contraste industrial, são responsáveis por um quarto das famílias na miséria.

Até o “bônus demográfico” (ver “Brasil em transição demográfica”, na edição 192 de Pesquisa FAPESP), a queda da fecundidade geral no país que possibilitaria maior oferta de emprego, não ocorrerá se a desigualdade se mantiver. “As famílias são menores, mas há problemas na sua composição: os pobres têm ‘taxas de dependência’ elevadas: a proporção de familiares em idade inativa é muito superior à média brasileira, o que diminui a chance de inserção produtiva”, conta Dedecca. Além disso, há um índice alto de chefias femininas e de negros nesses estratos. Com a discriminação, de gênero ou raça, caem ainda mais as chances de inserção. Para as mulheres, isso se reflete no tempo gasto com a organização das famílias, gerando dupla jornada e informalidade.

© LEO RAMOS

Exemplo de produção para consumo próprio: horta comunitária feita em Embu, São Paulo

Informalidade
Informalidade, aliás, que em geral se converte em desigualdade, em todos os gêneros e raças. A exclusão da formalidade do mercado implica necessariamente a exclusão da proteção social derivada dele. Fator que pode influenciar outro indicador: a elevada taxa de mortalidades perinatal nos segmentos pobres, em muito superior à média do país e em crescimento: de 2003 a 2009, os índices subiram de 25,57 mortes por mil nascidos para 36,90 mortes por mil nascidos. A falta de acesso à Previdência tem números muito altos para qualquer programa social dar conta: mais de 9,5 milhões de famílias sem nenhuma proteção.

Existem indicadores positivos, mas com ressalvas, como o aumento da escolarização de crianças entre 4 e 16 anos, próximo da média nacional, indicando a universalização da educação da nova geração. Ao mesmo tempo, cresceu o indicador de defasagem escolar, prova de que a universalização aconteceu, mas sem qualidade. Mesmo o fator mais celebrado, o aumento da renda vem com atenuantes. O poder de compra dos pobres cresceu, mas não os fez mais saudáveis. Há índices crescentes de má nutrição e de obesidade. Nesse caso, há mais dinheiro para alimentação, mas a dieta é pobre e com muito carboidrato. “Os pobres são influenciados pelas propagandas e comem mal. Esses dados apontam problemas futuros de saúde”, alerta Dedecca. A área rural, muito penalizada nos indicadores, ao menos nesse leva vantagem ao produzir para consumo próprio o que permite acesso a alimentos de maior valor nutritivo.

Essa vantagem levou o governo federal a estimular essa produção como forma de inserir o meio rural no mercado. “Não rejeito a ideia, mas segundo os índices é uma tarefa quase inviável diante da ausência de demanda e das precárias condições de mercado. Essa prática atenua a pobreza rural, mas é insuficiente para melhorar os indicadores sociais tão desfavoráveis”, diz o pesquisador. O que é ruim nas metrópoles é pior nas áreas rurais. “O Brasil se vê erroneamente como sociedade urbana. Temos mais de 30 milhões de pessoas na área rural”, diz Dedecca. “Mesmo com transferência de renda, é muito complexa a ação das políticas públicas e o acesso aos bens sociais nessas regiões”.

Em habitação, perdem rurais e metropolitanos, ainda que alguns números sejam animadores: as casas pobres, hoje, têm paredes e telhados na média nacional, assim como indicadores positivos de banheiro por habitação e moradores por dormitório. “O problema é a localização das casas, em geral em regiões sem acesso a esgoto, pavimentação ou água encanada. Eles também estão abaixo da média na coleta de lixo, no uso de combustível adequado para cozinhar, na posse de geladeiras para conservação dos alimentos.” As moradias são construídas sem orientação técnica, aumentando situações de risco, já potencializadas pela localização em áreas perigosas como encostas de morros. Um dado de habitação surpreende: a proximidade dos índices de famílias pobres e famílias da média nacional vivendo mais de quatro anos no mesmo município. “Isso indica que a migração não é um fator determinante de desigualdade”, analisa.

Todos esses fatores questionam a entusiasmada visibilidade pública dada à questão da queda da desigualdade durante a década passada. “Ainda assim, a evolução recente das desigualdades no país, mesmo que não tenha produzido os resultados positivos esperados, mostra, pela primeira vez, uma fase de crescimento com capacidade distributiva”, lembra Dedecca. “A reprodução da relação entre crescimento e distribuição com uma maior qualificação das políticas públicas poderá se traduzir em resultados socioeconômicos mais expressivos, com a possibilidade de uma transformação social que se traduza em redução das desigualdades com maior justiça social e constituição de um efetivo Estado republicano, onde a cidadania seja um bem comum a toda a sociedade.” Daí, sim, será possível ver o Canadá.

Fonte: CARLOS HAAG | Edição 194 – Abril de 2012

revistapesquisa.fapesp.br
 

UNISOL NA CÂMARA DOS DEPUTADOS

Representantes do Cooperativismo e Economia Solidária se encontram com Marco Maia

 O Presidente da Câmara dos Deputados recebeu, hoje,  entidades de representação do Cooperativismo Brasileiro: Unisol Brasil, Unicafes, OCB e a Unitrablho, representantes do Governo Federal ( Secretaria de Relações Institucionais, Secretaria Geral da Presidência da República, Ministério do Trabalho/ SENAES, Mapa, Denacoop, para discutir a cerca do Ano Internacional das Cooperativas, relacionando este assunto com o tema do Marco Regulatório e as ações comemorativas.
Segundo Arildo Mota Lopes, Presidente da Unisol Brasil,  este ano deve ficar marcado no Brasil como o ano em que nosso país foi capaz de aprovar um conjunto de leis que venham no sentido de promover e fortalecer o sistema cooperativo e da Economia Solidária. Ele destacou a importância do projeto de lei 4622/2004, que trata das cooperativas de Trabalho, Produção e Serviço, do PLS 03/2007 que propõe a  Lei Geral das Cooperativas, os projetos de lei que tratam das matérias tributárias e fiscais, a lei que regulamenta as Cooperativas Sociais, entre outras.
Dentre os Projetos de Lei em discussão, o Presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, disse que está  dando prioridade para que o PL 4622/2007  possa ser ser aprovado e sancionado, ainda neste semestre, pela Presidenta Dilma. Neste sentido, o deputado afirmou que está pessoalmente empenhado para sua apreciação pelo plenário, porém ainda esbarra nas medidas provisórias que impedem que o mesmo vá a votação.
Ele comprometeu-se com todos que na primeira oportunidade em que a pauta estiver livre, ele encaminhará para votação estes projetos e outros de interesse das cooperativas e das organizações de representação.
FOTOS: Rodolfo Stuckert
 

Assembléia Geral Ordinária

Edital AGO – COOPERATIVA DE SOCIÓLOGOS SOLIDÁRIOS

 

ANO INTERNACIONAL DAS COOPERATIVAS

Apesar da Resolução da ONU ainda enfrentamentos até o preconceito.

2012 Ano Internacional das Cooperativas. O Empreendimento  cooperativo constroi um mundo melhor, é a frase síntese da resolução das Nações Unidas constante na resolução que definiu 2012 como Ano Internacional das Cooperativas. Apesar disso ainda enfrentamos barreiras, TACs, discriminações,  restrições  e exigências além do razoavel como Capital Social elevado, qualificação econômico-financeiras e exigências  técnicas, como afiliar-se a Conselhos e Associações civis (mesmo que isso contrarie até  mesmo a nossa Carta Magna).

 

PROGRAMA DRENAGEM SUSTENTAVEL

A COOPSSOL Brasil  desenvolve um PTTS – Projeto de Trabalho Técnico e Social para acompanhar o Programa acima que integra obras do PAC Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Federal em Canoas RS.  Fomos venceremos da Licitação e uma equipe Multidisciplinar da COOPSSOL Brasil tendo o Socº Eder Lazzarotto como Coordenador, a Pedagoga Michele,a Assist.Social Cleunice, a Técnica em Educação Ambiental Gabriele e a Socª Amanda Sanches Alves que atua como auxiliar administrativa. As ações preveem conforme o COTS – Cadferno de Orientação Técnico e Social da Caixa Federal, mobilização e organização sociocomunitária, divulgação e educação ambiental e ações educativas para informar sobre os efeitos das obras nas regiões dos Bairros Fátima e Rio Branco.

 

Curso gratuito em Economia Solidária

Economia Solidária é tema de curso gratuito da Rede Escola de Governo

Inscrições abertas até 20 de abril

A Rede Escola de Governo, em parceria com a UNIJUÍ, lança o edital para inscrições no curso gratuito em Economia Solidária como Alternativa de Trabalho e Renda na Promoção do Desenvolvimento Sustentável. A extensão, com carga horária de 100h, é dirigida aos servidores públicos e agentes sociais. As aulas acontecem às sextas-feiras, das 8h30 às 12h e das 13h30 às 17h30, na Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (Av. Praia de Belas, 1595 – Porto Alegre). Inscrições abertas até o dia 20 de abril.

Entre os objetivos da formação está o desenvolvimento de competências que habilitem os participantes a tratar com públicos em situação de vulnerabilidade social. Serão discutidas as experiências de organização de grupos sociais, movidos pela educação para solidariedade.

Confira, neste link, o edital e as fichas de inscrição.

 

projetos sociais

 (O jeito COOPSSOL)

 
Projetos SociaisHá uma infinidade de fontes de financiamentos para projetos sociais. Para a COOPSSOL estes recursos oriundos de projetos sociais são interessantes apenas quando cumprirem dois objetivos :

1) Quando puderem ser aplicados com claras possibilidades de êxito e de chegar o maior volume de recursos como conhecimento ou equipamentos nas comunidades beneficiárias e no chamado ‘público-alvo”.

2) Quando tiverem um público alvo interessado e aberto a um diálogo de perspectivas associacionistas, cooperativas e solidárias que busquem gerar trabalho, renda, dignidade e acesso à direitos.

Do contrário, se os parceiros nas comunidades pensam e agem de forma diferentes da nossa concepção, orientamos a buscarem outras organizações, Entidades, ONGS, OSCIPs ou consultorias… Há muitas outras organizações interessadas apenas em objetivos pragmáticos, de resultados que capitalizem os empreendimentos. Não é o nosso caso.

 

Brasil é segundo país mais desigual do G20, aponta estudo
Da BBC Brasil
O Brasil é o segundo país com maior desigualdade do G20, de acordo com um estudo realizado nos países que compõem o grupo.De acordo com a pesquisa Deixados para trás pelo G20, realizada pela Oxfam – entidade de combate à pobreza e a injustiça social presente em 92 países -, apenas a África do Sul fica atrás do Brasil em termos de desigualdade.Como base de comparação, a pesquisa também examina a participação na renda nacional dos 10% mais pobres da população de outro subgrupo de 12 países, de acordo com dados do Banco Mundial. Neste quesito, o Brasil apresenta o pior desempenho de todos, com a África do Sul logo acima. A pesquisa afirma que os países mais desiguais do G20 são economias emergentes. Além de Brasil e África do Sul, México, Rússia, Argentina, China e Turquia têm os piores resultados. Já as nações com maior igualdade, segundo a Oxfam, são economias desenvolvidas com uma renda maior, como França (país com melhor resultado geral), Alemanha, Canadá, Itália e Austrália.
Avanços
Mesmo estando nas últimas colocações, o Brasil é mencionado pela pesquisa como um dos países onde o combate à pobreza foi mais eficaz nos últimos anos. O estudo cita dados que apontam a saída de 12 milhões de brasileiros da pobreza absoluta entre 1999 e 2009, além da queda da desigualdade medida pelo coeficiente de Gini, baixando de 0,52 para 0,47 no mesmo período (o coeficiente vai de zero, que significa o mínimo de desigualdade, a um, que é o máximo). A pesquisa prevê que, se o Brasil crescer de acordo com as previsões do FMI (3,6% em 2012 e acima de 4% nos anos subsequentes) e mantiver a tendência de redução da desigualdade e de crescimento populacional, o número de pessoas pobres cairá em quase dois terços até 2020, com cinco milhões de pessoas a menos na linha da pobreza. No entanto, a Oxfam diz que, se houver um aumento da desigualdade nos próximos anos, nem mesmo um forte crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) poderá retirar um número significativo de brasileiros da pobreza. “Mesmo que o Brasil tenha avanços no combate da pobreza, ele é ainda um dos países mais desiguais do mundo, com uma agenda bem forte pendente nesta área”, disse à BBC Brasil o chefe do escritório da Oxfam no Brasil, Simon Ticehurst. “As pessoas mais pobres são as mais impactadas pela volatilidade do preço dos alimentos, do preço da energia, dos impactos da mudança climática”, acrescentou. Para ele, é importante que o governo dê continuidade às políticas de transferência de renda, como o Bolsa Família, e que o Estado intervenha para melhorar o sistema de distribuição.
“Os mercados podem criar empregos, mas não vão fazer uma redistribuição (de renda)”, afirma.
Ticehurst diz que, para reduzir a desigualdade, o Brasil também precisa atacar as questões da sustentabilidade e da resistência a choques externos. “As pessoas mais pobres são as mais impactadas pela volatilidade do preço dos alimentos, do preço da energia, dos impactos da mudança climática. O modelo de desenvolvimento do Brasil precisa levar isso mais em conta”.

Para o representante da Oxfam, a reforma agrária e o estímulo à agricultura familiar também é importante para reduzir a desigualdade. “Da parcela mais pobre da população brasileira, cerca de 47% vivem no campo. Além disso, 75% dos alimentos que os brasileiros consomem são produzidos por pequenos produtores, que moram na pobreza”, disse TiceHurst.“É preciso fechar esse circuito para que os produtores que alimentam o país tenham condições menos vulneráveis e precárias”. Segundo o estudo da Oxfam, a maioria dos países do G20 apresenta uma tendência “preocupante” no sentido do aumento na desigualdade. A entidade afirma que algumas dessas nações foram “constrangidas” pelas reduções significativas da desigualdade registradas nos países de baixa renda nos últimos 15 anos. “A experiência do Brasil, da Coréia do Sul e de vários países de renda baixa e média-baixa mostra que reduzir a desigualdade está ao alcance dos dirigentes do G20″, diz o texto. “Não existe escassez de potenciais alavancas para políticas (de redução da desigualdade). Em vez disso, talvez exista uma escassez de vontade política”, diz o estudo.

 

Olhares do Sul

A Rede de Artesanato Solidário, Olhares do Sul, lançará linha de produtos que incluem bolsas, acessórios e peças para decoração criadas a partir de resíduos sólidos, entre outros materiais. A ação será realizada no dia 8 de dezembro, às 17h30, na sede da UNISOL Brasil Rio Grande do Sul, situada na rua Vigário José Inácio, 303, Centro, Porto Alegre.

O projeto é realizado pela Coopssol-Brasil – Cooperativa Sociólogos Solidários, com apoio da Avesol, Fundação Luterana da Diaconia, TFL, com a execução da UNISOL RS e patrocínio do Programa Petrobras de Desenvolvimento e Cidadania.ato Solidário, Olhares do Sul, lançará linha de produtos que incluem bolsas, acessórios e peças para decoração criadas a partir de resíduos sólidos, entre outros materiais. A ação será realizada no dia 8 de dezembro, às 17h30, na sede da UNISOL Brasil Rio Grande do Sul, situada na rua Vigário José Inácio, 303, Centro, Porto Alegre.

 

 
 
 
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