COOPSSOL DISCUTE AUTOGESTÃO

Autogestão: desafios políticos e metodológicos na incubação de empreendimentos econômicos solidários O texto em referência é uma contribuição ao debate de

Noëlle M. P. Lechat; Eronita da Silva Barcelos Professoras da (Unijuí) e publicada na página eletrônica Scielo e na Revista katálysis vol.11 no.1 Florianópolis Jan./June 2008

. Nesta Quarta 18h00 na COOPSSOL faremos o debate a partir dessa contribuição teórica.

[...]Após sobrevoar origens históricas da autogestão na França e no Brasil, o texto questiona a capacidade de os homens se autogerirem, ou a situação de que sem chefe não há sociedade viável. Recorre a Clastres para mostrar que, se o poder político é uma necessidade inerente à vida social, ele não precisa ser hierárquico. Não há natureza humana em si, mas nossa especificidade como ser humano é justamente nossa capacidade de transformar a nós mesmos e ao mundo. Para o movimento da economia solidária brasileira, a autogestão é um conceito central, pois marca distância com as relações capitalistas, assistencialistas e acena por uma democracia radical. A autogestão possui um caráter multidimensional (social, econômico, político e técnico) e, portanto, não basta querer implantar a autogestão, ainda é preciso criar as condições para a sua efetivação. O artigo apresenta, ainda, uma reflexão sobre a metodologia autogestionária praticada pelos membros de uma incubadora universitária de economia solidária.

Eu Despedi O Meu Patrão

Zeca Baleiro Ouça Aqui.

http://www.youtube.com/watch?v=wG57wFe0JIM&feature=related

Composição: Zeca Baleiro

-Eu Despedi O Meu Patrão!

Eu despedi o meu patrão
Desde o meu primeiro emprego
Trabalho eu não quero não
Eu pago pelo meu sossego…(2x)

Ele roubava o que eu mais valia
E eu não gosto de ladrão
Ninguém pode pagar
Nem pela vida mais vazia
Eu despedi o meu patrão…

-Eu Despedi O Meu Patrão!

Eu despedi o meu patrão
Desde o meu primeiro emprego
Trabalho eu não quero não
Eu pago pelo meu sossego…(2x)

Ele roubava o que eu mais valia
E eu não gosto de ladrão
Ninguém pode pagar
Nem pela vida mais vadia
Eu despedi o meu patrão…

-Eu Despedi O Meu Patrão!

Eu despedi o meu patrão
Desde o meu primeiro emprego
Trabalho eu não quero não
Eu pago pelo meu sossego…(2x)

Ele roubava o que eu mais valia
E eu não gosto de ladrão
Ninguém pode pagar
Nem pela vida mais vazia
Eu despedi o meu patrão…

Eu despedi o meu patrão
Desde o meu primeiro emprego
Trabalho eu não quero não
Eu pago pelo meu sossego…(2x)

Ele roubava o que eu mais valia
E eu não gosto de ladrão
Ninguém pode pagar
Nem pela vida mais vadia
Eu despedi o meu patrão…

Não acreditem!
No primeiro mundo
Não acreditem!
No primeiro mundo
Só acreditem!
No seu próprio mundo
Só acreditem!
No seu próprio mundo…

Seu próprio mundo
É o verdadeiro
Meu primeiro mundo
Não!
Seu próprio mundo
É o verdadeiro
Meu primeiro mundo
Não!
Seu próprio mundo
É o verdadeiro
Primeiro mundo
Então!…

Mande embora
Mande embora agora
Mande embora
Mande embora agora
O seu patrão
Seu patrão (O seu patrão!)
Mande embora
Mande embora agora
Mande embora, agora
Mande embora o seu patrão
O seu patrão…

Ele não pode pagar
O preço que vale
A tua pobre vida
Oh Meu!
Oh Meu irmão!…(2x)

(Neste mundo é mais rico o que mais rapa:
Quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa;
Quem menos falar pode, mais increpa:
Quem dinheiro tiver, pode ser Papa.)

Eu despedi o meu patrão
Desde o meu primeiro emprego
Trabalho eu não quero não
Eu pago pelo meu sossego…(5x)

Eu Despedi O Meu Patrão!

* A parte em parênteses é trecho de soneto de Gregório de Mattos,
poeta bahiano barroco *

 

CFES SUL Desenvolve atividades de Formação na ECOSOL

O CFES SUL – Centro de Formação em Economia Solidária Desenvolve em agosto  11, 12 e 13/08.próximo um Curso Estadual de Formação em Economia Solidária. Desenvolvido pela UNISINOS que venceu o Edital da SENAES _ MTE  os Centros de Formação irão constituir um COLETIVO de formadores em ECOSOL na Região Sul do Brasil – RS,SC e PR que aglutinam mais de 3000 Empreendimentos de Economia Solidária. No RS os Cursos acontecem em Porto Alegre nos Capuchinhos Rua Paulino Teixeira Bairro Santo Antônio. A participaçaão no Curso  serão indicações dos Foruns Regionais de ECOSOL 13 no RS e que indicarão três formadores cada um. Além dos conceitos – princípios e valores da ECOSOL, a ênfase se dá na gestão dos empreendimentos na qual se trabalham os conceitos de  autigestão e democracia, história da ECOSOL, Papel do Estado e Políticas Públicas de ECOSOL.

 

PROJETOS – ENFOQUE DA COOPSSOL

Os projetos desenvolvidos pela equipe da COOPSSOL tem um enfoque e uma metodologia própria. Cuja síntese pode ser resumida da seguinte maneira:                                                                                                                                            1)  Nos cursos de qualificação e formação profissional uma equipe pedagógica constituida pelos docentes e uma coordenação pedagógica, desenvolvem os conteúdos teóricos-práticos em diálogo com os saberes dos educandos e educandas. A mera  qualificação profissional cumpre uma função importante somente quando os trabalhadores e trabalhadoras são do empreendimento e com ele irão aplicar os conteúdos e vivências desenvolvidos no Curso.                                                                                                                            2) Quando trata-se de qualificação para públicos não organizados em empreendimentos, a nossa proposta metodológica  enfoca a organização dos educandos em um empreendimento de natureza econômica. Este deve passar por um período de ‘incubação’ em um espaço de Incubadora e realizar a experiência de por em prática o exercício da atividade apreendida, oferecendo produtos ou serviços a comunidade ao a contratantes públicos ou privados.                                                                                                                                                    3) Nos projetos de pesquisa são apresentadas diversos enfoque e técnicas de coleta de dados e a questões de pesquisa são construidos com os demandantes.

4)Na consultoria e assessoria  os conteúdos são objetos de encontros e troca de informações que embasam o desenho de propostas de  acordo com o interesse do cliente. Saiba mais entrando em contato por e-mail coopssol.coop.br  ou pelo telefone (051) 30627732

 

 

CURSOS SESCOOP/RS 2010

Todos os Cursos abaixo estão disponíveis aos associados e associadas da COOPSSOL – basta inscrever-se e participar.
Cursos Confirmados – Inscreva-se Já!

:: 19/07/2010 :: CALCULOS TRABALHISTAS – 2010 :: PORTO ALEGRE ::
Inscrições :: Informações

:: 28/07/2010 :: FORMAÇÃO E GESTÃO COOPERATIVA – 2010 Turma II :: PORTO ALEGRE ::
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Cursos Previstos – Registre seu Interesse!

:: LICENCIAMENTO AMBIENTAL – TURMA II :: Porto Alegre ::
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:: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS – 2010 :: PORTO ALEGRE ::
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:: CURSO DE COOPERATIVISMO – ANALISE E CRITÉRIOS PARA COOPERATIVAS DE TRABALHO :: Porto Alegre ::
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:: CURSO INFORMÁTICA :: Porto Alegre ::
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:: EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA – 2010 :: PORTO ALEGRE ::
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:: GESTÃO DE PESSOAS – 2010 Turma II :: PORTO ALEGRE ::
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:: LIDERANÇA COOPERATIVA – 2010 :: PORTO ALEGRE ::
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:: FORMAÇÃO E GESTÃO COOPERATIVA – 2010 Turma III :: PORTO ALEGRE
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:: DICÇÃO E ORATÓRIA – 2010 Turma III :: PORTO ALEGRE ::
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:: GESTÃO DE PESSOAS – 2010 Turma III :: PORTO ALEGRE ::
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:: ENCERRAMENTO DE BALANÇO – 2010 – Demais Ramos :: PORTO ALEGRE ::
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Maiores Informações

DEGCOOP
Departamento de Educação e Gestão Cooperativa
Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo do Estado do Rio Grande do Sul
Fone 51 3323 0000
e-mail: degcoop@ocergs.com.br

 

TRISTES TRÓPICOS

 ’E os buritis – mar, mar.’ João Guimarães Rosa

 MARIA RITA KEHL – O Estado de S.Paulo, 26/jun/2010

 O deputado Aldo Rabelo é um patriota. Anos atrás, criou um projeto de lei contra o uso público de palavras estrangeiras no País. Não me lembro se a lei não foi aprovada ou não pegou. Somos surpreendidos agora por nova investida patriótica do representante do PC do B: substituir o verde-folha do nosso pendão por um tom mais chique, o verde-dólar. Nada contra a evolução cromática do símbolo pátrio. Mas não se esperava tamanho revisionismo da parte de um velho comunista: o projeto de revisão do código florestal proposto por Rabelo é escandaloso.

Ou não: se o PC do B ainda tem alguma coisa a ver com a China, nada mais compreensível do que a tentativa de submeter o Brasil à mesma voracidade do país que hoje alia o pior de uma ditadura comunista com o pior do capitalismo predatório: devastação da natureza, salários miseráveis, repressão política.

E nós com isso? Nós, que não somos chineses – por que haveremos de nos sujeitar aos ditames da concentração de renda no campo que querem nos impingir como se fossem a condição inexorável do desenvolvimento econômico? Não sou economista, mas aprendo alguma coisa com gente do ramo. Sigo o argumento de uma autoridade quase incontestável no Brasil, o ex-ministro do governo FHC e hoje social democrata assumido, Luis Carlos Bresser Pereira. A concentração de terras e a produtividade do agronegócio, boas para enriquecer algumas poucas famílias, não são necessárias para o aumento da riqueza ou para sua distribuição no campo. Nem para alimentar os brasileiros. A agricultura familiar – pasmem: emprega mais, paga melhor e produz mais alimentos para o consumo interno do que o agronegócio. Verdade que não rende dólares, nem aos donos do negócio nem aos lobistas do Congresso. Mas alimenta a sociedade.

Vale então perguntar quantos brasileiros precisam perder seus empregos no campo, ser expulsos de seus sítios para viver em regiões já desertificadas e improdutivas, quantas gerações de filhos de ex-agricultores precisam crescer nas favelas, perto do crime, para produzir um novo rico que viaja de jatinho e manda a família anualmente pra Miami? Quanto nos custa o novo agromilionário sem visão do País, sem consciência social, sem outra concepção da política senão alimentar lobbies no Congresso e tentar extinguir a luta dos sem-terra pela reforma agrária?

Meu bisavô Belisário Pena foi um patriota de verdade. Um médico sanitarista que viajou em lombo de burro pelo interior do País para pesquisar e erradicar as principais doenças endêmicas do Brasil no início do século 20. O relato da expedição empreendida por ele e Arthur Neiva pelo norte da Bahia, Pernambuco, sul do Piauí e Goiás, em 1912, virou um livro que eu ganhei do professor Antonio Candido. A pesquisa começa pela descrição do clima, ou seja, da seca, e segue a descrever a “diminuição das águas” no interior. Reproduzo a grafia da época: “Não há duvida de que a água diminue sempre no Brazil Central; o morador das marjens dos grandes rios não percebe o fenômeno, mas o depoimento dos habitantes das proximidades dos pequenos cursos e de coleções d”agua pouco volumosas é unânime em confirmar este fato. De Petrolina até a vila de Paranaguá, não se encontra um único curso perene. O Piauhy, encontramo-lo cortado (com o curso interrompido) ; o Curimatá, completamente sêco; para citar os maiores (…) Acresce que, em toda a zona, o homem procura apressar por todos os meios a formação do deserto, pela destruição criminosa e estúpida da vejetação”.

Os professores Jean Paul Metzger e Thomas Lewinsohn, no Aliás de domingo passado, acusam a falta de embasamento científico do projeto de Aldo Rabelo. Mas mesmo sem o aval de cientistas sérios, já é de conhecimento geral o que meu bisavô constatou em 1912: a evidente relação entre o desmatamento, a diminuição das águas e a desertificação do interior do País. O novo código de “reflorestamento” propõe reduzir de 30 para 7,5 metros a extensão obrigatória das matas ciliares nas propriedades rurais. Uma faixa vegetal mais estreita do que uma rua estreita não dá conta de impedir o assoreamento dos rios que ainda não secaram, nem barrar a devastação pelas cheias como a que hoje vitima tantos moradores da Zona da Mata. Quem nunca observou, sobrevoando o Brasil central, que os rios que não têm mais vegetação nas margens estão secos? Outra piada é isentar as pequenas propriedades da reserva florestal obrigatória. Se até o gênio do mal que mora em mim já teve essa ideia, imaginem se ninguém mais pensou em dividir grandes fazendas em pequenos lotes “laranjas” para se valer do benefício?

Por desinformação ou má-fé, os defensores do desmatamento alardeiam que essa é uma disputa entre desenvolvimentistas e amantes do “verde”. Mentira. O objeto da disputa é o tempo. O projeto de Rabelo defende os que querem agarrar tudo o que puderem, já. No futuro, ora: seus netos irão estudar e viver no exterior. Do outro lado, os que se preocupam com as gerações que vão continuar vivendo no Brasil quando todo o interior do País for igual às regiões mais secas do Nordeste atual – algumas das quais já foram ricas, verdes e férteis, antes de ser desmatadas pela agricultura predatória. Que pelo menos contava, no início do século 20, com o beneplácito da ignorância.

 

Fonte: www.pensareedu.com

http://www.bengochea-ivone.blogspot.com

 http://www.pensare-pensare.blogspot.com/

 

O Retrato das Desigualdades

O Retrato das Desigualdades

Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça – 3ª Edição

O Retrato das Desigualdades tem por objetivo disponibilizar informações sobre a situação de mulheres, homens, negros e brancos em nosso País. Para isso, apresenta indicadores oriundos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, sobre diferentes campos da vida social, de forma a disponibilizar para pesquisadores e gestores um retrato atual das desigualdades de gênero e de raça no Brasil, bem como de suas interseccionalidades - pois os indicadores são apresentados tanto para mulheres e homens, negros e brancos, quanto para mulheres brancas, mulheres negras, homens brancos e homens negros. A terceira edição do Retrato é fruto da parceria entre o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Piratas, ontem e hoje

Por Frei Betto

São estarrecedoras as notícias sobre piratas nas costas da Somália. Para mim, é quase como encontrar, hoje, dinossauros em plena Amazônia. Piratas eram, até agora, lendários personagens de minha infância. No carnaval, fantasiados ou não de piratas (lenço de seda vermelho na cabeça, tapa-olho preto e espada de pau), cantávamos alegres a famosa marchinha de 1947: “Eu sou o pirata da perna de pau / do olho de vidro / da cara de mau…”
Súbito, eis notícias de que, em pleno século 21, há piratas de verdade atacando grandes embarcações no litoral da Somália. É Homero quem, na Odisseia, cita pela primeira vez ‘pirata’, termo que deriva do grego ‘assaltar’.
Entre os séculos 16 e 18, os piratas infestaram os mares do Caribe. A atual Ilha da Juventude, em Cuba, era conhecida como Ilha do Tesouro e ensejou várias histórias de aventuras. Ali os piratas escondiam seus botins.
Todos os piratas são bandidos? O historiador usamericano Marcus Rediker, no livro Villains of all nations (Vilões de todas as nações), descreve as dramáticas condições em que trabalhavam os marujos ingleses nos séculos passados. Viviam num inferno flutuante, tratados como escravos. Quem se rebelasse era chicoteado como o nosso João Cândido, o “almirante negro” da Revolta da Chibata (1910). Os reincidentes, atirados aos tubarões; os sobreviventes, recebiam salários de fome. Os marujos foragidos da desumana marinha de suas majestades tornaram-se piratas e criaram, diante disso, uma “outra marinha possível”: aboliram a tortura, passaram a escolher seus comandantes por eleição, partilhavam entre si os botins. Enquanto eles assaltavam navios, a marinha européia saqueava países – na Ásia, na África e na América Latina. A história de nosso Continente que o diga…Segundo Rediker, os piratas, que acolhiam a bordo escravos africanos para libertá-los, implantaram “um dos planos mais igualitários para distribuição de recursos que havia em todo o mundo, no século 18″.
A Somália entrou em colapso em 1991 e, desde então, seus nove milhões de habitantes vivem em situação de miséria. O litoral do país é utilizado pelas nações metropolitanas como lixeira da sucata nuclear. Junto ao lixo atômico, outros tipos de dejetos têm sido jogados no mar da Somália, causando enfermidades na população, como erupções de pele, náuseas e bebês malformados. Após o tsunami de 2005, muitos apresentaram sintomas de radiação. Morreram cerca de 300 pessoas. E inúmeros navios europeus pilham a pesca do litoral da Somália. Por ano, carregam dali toneladas de atum, camarão e lagosta.
Assim, os “piratas” somalianos – que se autonomeiam “Guarda Costeira Voluntária da Somália” – são pescadores afetados em seus direitos e em busca de alguma compensação frente ao saque e à contaminação de suas águas por nações européias. Em entrevista ao jornal The Independent, Sugule Ali, um dos líderes dos “piratas”, declarou: “Não somos bandidos do mar. Bandidos do mar são os pesqueiros clandestinos que saqueiam o nosso peixe.”
Johann Hari, colunista do jornal inglês, se pergunta: “Por que os europeus supõem que os somalianos deveriam deixar-se morrer de fome passivamente pelas praias, afogados no lixo tóxico europeu, e assistir passivamente aos pesqueiros europeus (dentre outros) que pescam o peixe que, depois, os europeus comem elegantemente nos restaurantes de Londres, Paris ou Roma? A Europa nada fez, por muito tempo. Mas quando alguns pescadores reagiram e intrometeram-se no caminho pelo qual passam 20% do petróleo do mundo, imediatamente a Europa despachou para lá os seus navios de guerra.”
No século 4 a.C., um pirata foi levado preso à presença de Alexandre, o Grande, que indagou se ele pretendia tornar-se senhor dos mares. O homem respondeu qual era a sua intenção: “O mesmo que você, fazendo-se de senhor das terras; mas, porque meu navio é pequeno, sou chamado de ladrão; e você, que comanda uma grande frota, é chamado de imperador.” E hoje, quem é o principal ladrão?
Frei Betto é escritor, autor de “Gosto de Uva” (Garamond), entre outros livros.
 

“O neoliberalismo nos forçou a pensar pequeno”

Para Márcio Pochmann, ricos precisam ser tributados diferentemente dos pobres

Para Márcio Pochmann, ricos precisam ser tributados diferentemente  dos pobres

Além de se caracterizar como uma crise estrutural, com efeitos no crédito e nos investimentos; e sistêmica, repleta de efeitos sociais e políticos, pela primeira vez, uma crise econômica também é globalizada. Esse foi um dos destaques do seminário “As crises do capitalismo”, de Márcio Pochmann, realizado no Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo. A palestra faz parte do Curso sobre a Crise do Capitalismo,

Inédita também por envolver “graves problemas ambientais”, a crise deixou evidente, segundo o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a “desgovernança” do mundo. “A Organização das Nações Unidas (ONU), o Banco Mundial, e o Fundo Monetário Internacional (FMI), foram incapazes de dizer algo relevante”, afirma o economista.

Comportamento

O presidente do Ipea ainda destacou o peso das maiores corporações do mundo, não somente na produção de produtos e serviços, mas também de padrões comportamentais. “As empresas tem os países 48% do PIB do mundo são de 500 corporações. Essas corporações são as reprodutoras do padrão de consumo. É preciso repensar isso tudo e construir um novo padrão de consumo”, afirma Pochmann.

Para ilustrar o atual contexto em que a humanidade vive, o economista compara as características familiares de um século atrás com a atualidade. Segundo ele, antes as casas eram menores e se constituíam como espaços de socialização das pessoas. Hoje em dia, as casas são maiores, moram menos pessoas, porém, “viraram depósitos de que compramos”, e menos um espaço de socialização familiar.

Para o economista, é necessário superar o atual conceito de “bem-estar social”, tendo em vista que “o neoliberalismo nos forçou a pensar pequeno”, segundo ele afirmou. Entretanto, uma nova postura comportamental, segundo ele, “não muda de um dia para o outro”. “Precisamos, por exemplo, tributar os ricos e fazer mais mudanças. Mas precisamos ter base política”, pondera.

A crise e o Brasil

Ainda sob a forte influência neoliberal, e sua força de fazer os trabalhadores pensar pequeno, “não estamos construindo uma agenda de transformação, de refundar o Estado”, pontua Pochmann. Segundo ele, “o Estado que temos hoje não serve”, pois ainda é fundamentado por práticas pensamentos do século do 20.

No contexto nacional, o presidente do Ipea critica as ações contraditórias próprio governo federal que tenta impulsionar o consumo beneficiando as grandes montadoras de carro, ao passo que, ao invés disso, poderia forçar a diminuição das passagens de ônibus ou mesmo o preço da cesta básica. Com indignação, Pochmann soma a essas mais uma questão: “Por que não tributam os ricos?”.

Em relação às medidas tomadas pelo governo brasileiro, Pochmann afirmou que ações como redução de impostos, de juros, e elevação do salário mínimo, possivelmente evitarão a recessão no país. Ele ainda acrescenta que é muito provável que haja um crescimento econômico que atinja até 2% do Produto Interno Bruto (PIB).

Ele não minimiza, porém, o retrocesso de desenvolvimento social que vinha ganhando força desde os anos de 2003 e 2004 no país. “Vamos conviver com um maior desemprego e o aumento da pobreza e desigualdade”, conclui o economista.

Fonte: Brasil de Fato

 

II CONAES

Conaes_Paulo-Marquesimg_conaesEncerrou nesta Sexta-feira 18/06  em Brasilia a II CONAES – Conferência Nacional de Economia Solidária. Contando com mais de 1300 delegados de todo o Brasil e convidados, a Conferência cujo lema ao lado definiu-se em apontar diversas políticas e a indicação de criação do Ministério da Economia Solidária, ao próximo governo. O RS teve a maior delegação mais de 140 delegad@s reprentando gestores 25%, Entidades de apoio 25% e Empreendimentos economicos solidários 50%, realizaram intensos debates, mini-plenárias, conferências e mesas de sistematização. Um documento foi encaminhado a Frente Parlamentar e uma seção da Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados analisou nesta quarta 17/06 -  um projeto de lei de iniciativa popular para criar uma Lei Geral da Economia solidária. Antônio Prado esteve lá como delegado pela COOPSSOL/UNISOL.

Convocada pelo Conselho Nacional de Economia Solidária com apoio da Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), debateu o tema ‘O direito às formas de organização econômica baseadas no trabalho associado, na propriedade coletiva, na cooperativa e na autogestão, reafirmando a economia solidária como estratégia e política de desenvolvimento’.

Preparação – A II Conaes começou a ser preparada em janeiro, com a realização de 187 conferências territoriais, que abrangeram 2.894 municípios brasileiros e 15.800 participantes de segmentos representativos locais da Economia Solidária. Em seguida, outras 27 conferências, então estaduais, contaram com a participação de 4.659 pessoas.

 
 
 
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